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Artigo de Opinião

27/12/2022 06:46

As suas palavras interpelaram cada um de nós a atentarmos no paradoxo que é, num tempo em que como nunca, temos progresso e desenvolvimento, "atingimos patamares tão grandes" de conhecimento e saber, técnica e instrumentos dos mais avançados, modernos, capazes, ágeis, rápidos, tudo isso fruto e em resultado do mais importante - da vida humana - é precisamente no momento em que vivemos uma grande indecisão antropológica.

"Talvez a crise maior seja a pergunta o que é o homem? O que é o ser humano? Porque é que ele está aqui na terra? Qual o valor de uma vida? Qual a sua finalidade? O que é que podemos esperar? O que é que somos chamados a concretizar no tempo? A verdade é que nas nossas sociedades há uma certa hesitação e um certo pessimismo em relação à pessoa humana."

A ideia de que, é a partir da vida que tudo surge e de que tudo é construído e desenvolvido em favor, a bem dessa mesma vida, contrastada com o sentimento que hoje invade as sociedades, o de "achamos que o ser humano vale pouco, que a vida não tem assim tanto valor. E sobretudo, quando uma vida não produz, uma vida quando é mais frágil, mais vulnerável. Até podemos viver sem ela. Até podemos descarta-la".

Junto a esta perplexidade, que nos deve inquietar, cresce uma outra vertigem que nos desumaniza. A ideia de que "começamos a pensar que não podemos manter a vida das pessoas mais idosas ou doentes até ao fim, não podemos tomar a nosso cargo os mais pobres, não podemos acolher os estrangeiros e os migrantes."

Que patamares de desenvolvimento e crescimento são estes afinal? Para que fim? Com que homem e com que mulher lá dentro?

Como é possível que "nós possamos recuar em relação ao cuidado do humano?" A pessoa humana não é apenas aquela que "pode contribuir com a sua saúde, o seu trabalho para o desenvolvimento da sociedade, mas todas sem exceção."

Numa mensagem plena de humanismo, o Cardeal Tolentino apelo a que junto, "nos tornemos terapeutas das almas uns dos outros."

Se deitarmos as palavras de Tolentino Mendonça ao vento, que o seja para as espalhar, para as levar a todos os cantinhos, a todos os corações.

Medeiros Gaspar escreve à terça-feira, de 2 em 2 semanas

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