Nicolás Maduro, o homem que em 12 anos fragmentou a sociedade venezuelana e tornou a maior economia da América Latina num país disfuncional em que até os valores morais entraram em colapso, as estruturas familiares tradicionais, que priorizam o indivíduo e fornecem o arcabouço de responsabilidade pessoal, foram criminosamente desestruturadas.
A fragmentação da sociedade venezuelana através da implementação de políticas do autocrata venezuelano desde 14 de abril de 2013, agora detido, pode dizer-se que cabia às instituições sociais, religiosas e familiares providenciar valores morais e um sentido de identidade completo, uma bússola de responsabilidade individual, mas, foram corrompidas, degeneradas ou se tornaram obsoletas ao ponto de tornarem irrelevantes aos desafios humanos atuais.
Nicolás Maduro, o ditador, que assumiu “poderes especiais” em novembro do mesmo ano em que foi eleito, concentrou na totalidade a autoridade estatal sob seu controle quando, simultaneamente, perseguia, exilava, torturava e interrompeu ao longo dos anos, criminosamente, a vida de cerca de 20.000 opositores, seus compatriotas.
Volvido pouco tempo após a sua incoação no poder, foi notório o declínio socioeconómico, o recrudescer do descontentamento social a todos os níveis e a inevitável escorrega no plano inclinado para a censura, corrupção, destruição, pobreza, criminalidade e fome, sendo o grande responsável pelo sofrimento de uma nação inteira.
A apreensão de Maduro espoletou as mais diversas clivagens de opinião, em muitos líderes eleitos e potenciais candidatos à presidência que não tardaram em oferecer condenações veementes, acusando Trump de violar o direito internacional.
A prisão de Maduro, líder doutro país e a evocação reiteradamente da palavra soberania, criou perceções de ser algo inexistente, pois é caso para perguntar o que faziam, no Palácio de Miraflores, 32 militares cubanos - abatidos de acordo com o ministro da defesa venezuelano - pelas forças dos EUA, ao invés de militares filhos da terra.
É demasiado evidente o cansaço de mais de duas décadas de um regime que forçou a saída de quase um terço (8 milhões) da sua população por um ex-“líder” que se manteve no poder através de uma série de eleições presidenciais simuladas apesar dos protestos que aumentavam constante e intensamente que instigaram a reações, infalivelmente, sanguinárias das forças de segurança venezuelanas que resultaram no aniquilamento de centenas de pessoas o que conduziu à impopularidade do déspota e o partido da oposição a uma vitória das eleições parlamentares de 2015.
Os sinais emitidos pela Argentina foram ignorados. Maduro fora recipiente do Colar da Ordem do Libertador, a mais alta condecoração da Argentina, revogada em agosto, pelo então presidente Maurício Macrim, sob o pretexto de violações gravosas dos direitos humanos.
Maduro, agora a braços com a justiça nega veementemente as alegações de narcoterrorismo e facilitação do transporte de toneladas de cocaína para os EUA e de supervisionar uma operação ilegal de drogas. Na passada segunda-feira num tribunal de Nova Iorque, declarou-se inocente, o que era expetável.
A detenção de Maduro “mexeu” e apoquenta políticos do continente africano que fazem face a escrutínios e se apressaram a condenar a prisão de Maduro nas circunstâncias em que foram executadas, revelando receios, de que ações semelhantes potencialmente planeadas contra eles.
O departamento de Justiça dos EUA encetou um processo de averiguações acusando Ramaphosa de apoiar talibãs. A investigação conectou-o, diretamente, ao financiamento dos talibãs e de apoio ao terrorismo que ceifou a vida a cidadãos americanos.