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Artigo de Opinião

Nutricionista

4/07/2022 08:00

Lembro-me de, há uns anos atrás, lançarem, a propósito deste dia, a campanha "A Infância passa, o peso fica", e adoro esta expressão! Uma excelente forma para pensar naquilo que queremos que seja o futuro dos nossos filhos e uma reflexão que todos deveriam fazer - "Ahhh, mas o meu filho não é obeso, nem gordo, é magrito!" - neste caso, então que apliquem a expressão: "A infância passa, os maus hábitos ficam"! Temos que pensar, que assim como a educação e o respeito vem de berço, os bons hábitos alimentares e as melhores escolhas também.

Cada vez mais, falamos na importância dos primeiros 1000 dias de vida para moldar o organismo do ser humano. Desde a concepção, até aos 2 anos da criança, sabemos que os hábitos dos pais, bem como a correta introdução e complementaridade alimentar infantil, têm uma carga, muito significativa, na saúde e no peso da criança. Portanto, se a exposição é saudável, o corpo humano irá ser mais estável e saudável também.

Mas e "A minha filha é gorda como a mãe! Está no sangue! " - oiço algo semelhante, tantas vezes!

É verdade também que existe uma predisposição genética que tem um peso enorme para definir se, no futuro, seremos mais ou menos gordinhos, mas o que indicam os estudos é que o estilo de vida adotado desde a gestação pode afetar e muito a saúde do bebé até à vida adulta.

Querem mudar o histórico familiar, comecem por vocês próprios quando se preparam para serem pais! Caso contrário, os genes de obesidade serão ativados, sendo, no futuro, mais difícil para a criança perder peso.

Mas e "Na escola o meu filho já come legumes e sopa, em casa já não precisa!" - isto é o pior que podem dizer, pois existe uma desresponsabilização! E o papel principal é dos pais - que comam na escola e em casa também!

Ainda assim, as escolas também deverão ter um papel relevante na matéria da alimentação infantil. E aqui entra a questão das ementas escolares.

Apesar de muitas escolas, já terem ementas saudáveis e adequadas para a alimentação infantil, entristece-me e provoca-me uma certa agonia que, em que algumas, nem pensem muito no assunto! E porquê? Porque dizem que o que importa é alimentar a maioria das crianças! Ora bem, então ao lanche vamos dar iogurtes açucarados ou de aroma (que equivalem a 3 pacotes de açúcar), porque os naturais, os meninos não comem! Ou ao lanche damos cereais açucarados porque, os outros, os meninos não comem! Das duas uma, ou as crianças que em casa têm bons hábitos alimentares, vão desaprender o que lhes foi incutido, ou então, vão ser vistas como os marginais que não comem açúcar e vão sentir-se de parte porque não podem comer como os outros! Como se resolve esta situação? Os pais que estão a fazer o correto, ficam, sem dúvida, de mãos atadas! E esta é sim uma chamada de atenção!

Tudo isto se resolvia, se os bons hábitos viessem de casa e se, muitos pais, não reclamassem que o filho não tem o bombom na escola, porque em casa só come danoninhos.

Por favor, mais consciência!

Pais, pensem e reflitam! Escolas, por favor, analisem bem as vossas prioridades, no que respeita à alimentação! Governos, fiscalizem mais! Tenho dito!

OPINIÃO EM DESTAQUE
Coordenadora do Centro de Estudos de Bioética – Pólo Madeira
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A finitude da vida é um tema que nos confronta com a essência da nossa existência, levando-nos a refletir sobre o significado e o propósito da nossa passagem...

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