Pelo menos 17 presos políticos foram libertados na Venezuela, segundo a ONG Foro Penal, que contabiliza agora um total de 687 detidos na República Bolivariana.
Alfredo Romero, presidente do Foro Penal, informou no X sobre a libertação dos 17 detidos “até ao momento” e disse esperar que “que ocorram mais libertações”, depois de o regime chavista ter anunciado a 08 de janeiro um “novo momento político” no país.
Familiares de presos políticos das prisões de El Rodeo (estado de Miranda, perto de Caracas) disseram à EFE que pelo menos quatro foram libertados de El Rodeo I e II.
Até esta manhã, o Foro Penal, que lidera a defesa jurídica dos presos políticos, contabilizava 350 libertações desde o início de janeiro, quando o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, irmão da Presidente interina Delcy Rodriguez, anunciou a libertação de um “número significativo” de pessoas.
A Presidente afirmou que as libertações faziam parte de um “novo momento político”, poucos dias depois da detenção do líder chavista Nicolás Maduro em Caracas por forças norte-americanas.
Contudo, o governo afirma agora que o processo de libertação começou em novembro e, na segunda-feira, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, que negava a existência de presos políticos no país, elevou o número total de libertados para 895.
O Foro Penal contabiliza, segundo um levantamento até 02 de fevereiro, um total de 687 presos políticos no país sul-americano, dos quais 600 são homens e 87 são mulheres. Deste grupo, 505 são civis e 182 são militares.
Também hoje, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa (SNTP) da Venezuela anunciou a libertação do jornalista Rory Branker, após onze meses de detenção.
O sindicato informou no X sobre a libertação de Branker, editor do portal de notícias online La Patilla, que estaria preso na penitenciária de Tocorón, no estado de Aragua (norte).
Gonzalo Himiob, vice-presidente da ONG Foro Penal, também confirmou a libertação.
Branker foi detido a 20 de fevereiro de 2025 por agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN), como foi denunciado na altura pelo SNTP.
Com o anúncio de hoje, segundo os registos do sindicato, cinco jornalistas continuam detidos na Venezuela, incluindo o ex-deputado Juan Pablo Guanipa, aliado da líder da oposição María Corina Machado.
A 14 de janeiro, o SNTP informou a libertação de 18 jornalistas que se encontravam detidos.
Na passada sexta-feira, Delcy Rodríguez propôs também uma lei de amnistia para libertar os presos políticos detidos desde 1999, desde que o falecido líder Hugo Chávez chegou ao poder.
Até ao momento, são desconhecidos os detalhes da lei proposta por Rodríguez, que tem de ser aprovada pelo Parlamento.
Em Portugal, o governo saudou hoje a libertação do luso-venezuelano Jaime Reis Macedo, detido desde julho de 2025 pelas autoridades da República Bolivariana.
“Portugal mantém firme o compromisso diplomático pela liberdade de todos os presos políticos e pelos direitos humanos”, refere nota publicada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) nas redes sociais, em que manifesta “solidariedade” a Jaime Reis e família.
O MNE havia já anunciado no domingo a libertação do médico Pedro Javier Rodriguez, de 43 anos, que esteve detido por atividade oposicionista nas redes sociais durante três meses.
Antes, havia sido libertada a luso-venezuelana Carla Rosaura da Silva Marrero, condenada a mais de 20 anos de prisão na Venezuela, de acordo com o MNE.
Fonte do MNE indicou posteriormente à agência Lusa que Carla da Silva estava presa desde 05 de maio de 2020 e que tinha sido condenada a 21 anos de prisão por “conspiração e associação para cometer crimes”.
Carla da Silva, agora com 42 anos, tinha sido condenada por um tribunal de Caracas em 23 de maio de 2024, juntamente com outras 28 pessoas, militares e civis, por conspirarem para derrubar o Governo da Venezuela.
Segundo o Governo Regional da Madeira, ainda estão detidos outros madeirenses e lusodescendentes oriundos desta região autónoma, nomeadamente Juan Francisco Rodríguez dos Ramos e Fernando Venâncio Martínez.