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Artigo de Opinião

Conselheiro das Comunidades - África do Sul

26/09/2022 08:00

Em África, os súbditos britânicos e não só, assim como uma maioria expressiva de líderes africanos agregou-se ao resto do mundo num indício inquestionável de respeito e admiração. Porém, algumas figuras da anglofonia sem qualquer titubeação fizeram ouvir as suas vozes evocando terríveis atrocidades cometidas pelo império britânico e de as mesmas estarem simbolizadas em Isabel II. Volvidas poucas horas após a rainha ter exalado o último suspiro não perderem tempo e fizeram soar sentimentos e amiserações com ataques à monarquia britânica e à rainha que agora se finou, pelo legado colonial. Críticas emanaram da África do Sul, Zimbabué, Quénia e para além do continente, aproveitando o momento para escoriar a rainha por tudo aquilo que defendeu durante o reinado. Como era de antever, surge o primeiro ataque de forma arroubada espoletado pelo conhecido extremista, sul africano, Julius Malema "Comandante-em-chefe" do partido de extrema-esquerda, Economic Freedom Fighters (EFF), que não demorou a fazer circular a declaração na qual dizia: "Não temos razão para estar de luto pela sua morte. É uma boa oportunidade de nos livrarmos dela. Não estamos de luto por Isabel II, porque a sua morte é um lembrete de uma era muito trágica para o nosso país e da história de África". A concluir, pode ler-se "se realmente existe justiça depois da morte, talvez, Elizabeth e os seus ancestrais irão ter o que merecem…"

Deveras chocante foram as palavras proferidas pela Professora universitária, Uju Anya, nacional da Nigéria, atualmente a lecionar na Carnegie Mellon University, Pensilvânia, EUA, o que na minha opinião revela um caráter ojeriza, imprecativo e amaldiçoador ao manifestar ter sempre desejado que Isabel II, tivesse uma morte com dores excruciantes, pelo facto de que durante a guerra civil na Nigéria permitiu o fornecimento de armamento e munições a uma ditadura militar, que foram utilizados para esmagar a rebelião biafrense.

A cidade do Cabo manifestou um luto de forma diferente, muito sentido e compreende-se, pois, a monarca mantinha uma relação muito especial por ter sido naquela cidade que em 1947 celebrou o seu 21º aniversário natalício e onde proferiu um dos mais famosos discursos, se não o mais famoso e ainda hoje muito lembrado, no qual prometeu uma vida inteira de serviço, sem considerar o tempo que vivesse.

Apesar do seu reinado estar ligado ao colonialismo, Isabel II manteve um relacionamento muito próximo do saudoso Nelson Mandela, um dos poucos a que a monarca permitiu que a chamasse de Beth. Muitas das nações africanas pertencentes à Commonwealth num total de cinquenta e duas na sua maioria ex-colónias britânicas, devido à ação influente de Isabel II, compartilharam do luto e inclusive de valores e princípios e reputam a soberana agora desaparecida como um sinónimo de estabilidade e com a esperança que essa estabilidade seja continuada pelo seu sucessor, o Rei D. Carlos III.

PS: O partido extremista EFF, designa o cabeça por "Comandante-em-chefe".

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