O número de votos no consulado-geral de Londres ultrapassou hoje à tarde o registado na primeira volta das eleições presidenciais portuguesas, impulsionado por uma mobilização sobretudo jovem, determinada em influenciar o resultado final.
Luís Pinto e Fábio Oliveira viajaram num grupo de seis desde Bristol, a cerca de 200 quilómetros da capital britânica, pagando perto de 100 euros cada um para votar num candidato que não era o favorito e em quem não tinham votado na primeira volta.
“Ainda pensei votar em branco, porque não me revejo em nenhum dos candidatos, mas desta vez o que está em causa é demasiado importante”, afirmou Luís Pinto à agência Lusa à porta do consulado, sublinhando o esforço feito para se deslocar de tão longe.
Fábio Oliveira contou que vários amigos que vivem também fora de Londres optaram por não votar, quer por razões laborais, quer pelo custo e tempo da viagem em família.
“Mais uma razão para avançar com o voto eletrónico, porque nem o voto postal é infalível — às vezes as cartas com os boletins extraviam-se ou chegam demasiado tarde”, defendeu.
Sara Demony e quatro amigos deslocaram-se do sul de Londres. A viagem foi curta, mas a motivação, disse, é a mesma, pelo que votou “útil” nas duas voltas.
“Esta eleição é provavelmente a mais importante de uma geração em Portugal”, considerou.
A amiga Vera Gomes explicou que o grupo estava consciente de não poder “encostar-se” e abster-se, lembrando o referendo do ‘Brexit’ e as eleições presidenciais nos Estados Unidos, num contexto de crescimento da extrema-direita.
“Esta eleição vai dizer muito sobre o nosso país e sobre a Europa”, afirmou.
Na primeira volta, Londres somou 5.191 votos (3,61%) num universo de 143.899 inscritos, quase o triplo dos 1.875 votos registados em 2001, quando estavam recenseados 105.298 eleitores.
Além de Londres, há mesas de voto no Reino Unido em Manchester e Belfast. Na mesma jurisdição consular é ainda possível votar nas ilhas de Jersey e Guernsey, no Canal da Mancha, e em Hamilton, nas Bermudas.
Mais de 11 milhões de eleitores estão hoje chamados às urnas para a segunda volta das presidenciais, que escolherá o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa.
António José Seguro e André Ventura disputam a eleição, três semanas após o primeiro sufrágio, realizado a 18 de janeiro.