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Presidenciais: Falhas do INEM no centro das críticas dos candidatos ao Governo

Data de publicação
07 Janeiro 2026
18:08

Os candidatos presidenciais lamentaram hoje as falhas que levaram à morte de um homem no Seixal depois de ter esperado cerca de três horas por socorro do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), responsabilizando o Estado e o Governo.

“A única rede de emergência médica não pode falhar porque essas falhas e esses atrasos têm consequências, neste caso, uma morte”, notou João Cotrim Figueiredo, durante uma ação de campanha em Pedrógão Grande.

O candidato apoiado pela Iniciativa Liberal disse entender que as responsabilidades, que são do Estado, “não podem ficar ao sabor de mais ou menos diligências de um funcionário, mais ou menos competências de um técnico e mais ou menos vontades de resolver de um político”.

“Um Estado que falha consistentemente é um Estado que deve merecer a atenção do poder político. Não podemos continuamente falhar, falhar, falhar e acharmos que está tudo bem”, reagiu Henrique Gouveia e Melo, dizendo posteriormente que “o último responsável por todas as situações são os primeiros-ministros, que escolhem os seus ministros”.

Na terça-feira, um homem de 78 anos morreu depois de ter estado cerca de três horas à espera de socorro do INEM, apesar de ter sido classificado como prioridade 3 (resposta em 60 minutos).

Segundo a fita do tempo do caso, a que a Lusa teve acesso, a chamada foi recebida pelas 11:23 e apenas pelas 12:48 foi registado que a Cruz Vermelha do Seixal não tinha ambulância e que as ambulâncias de Almada e Seixal estavam ocupadas. A viatura médica só foi enviada pelas 14:09.

Hoje, em conferência de imprensa, o presidente do INEM, Luís Mendes Cabral, atribuiu a culpa à retenção de macas nos hospitais, explicando que a procura de meios começou logo 15 minutos após a chamada ter sido recebida, mas não havia ambulâncias disponíveis.

“É essencial assegurar que ninguém no nosso país, onde quer que seja no território, tem de esperar mais de três horas pelo serviço de emergência. Este não é o Portugal que eu quero e comigo na Presidência da República outras medidas já teriam sido tomadas e o primeiro-ministro e a ministra da Saúde teriam sido chamados várias vezes a Belém para explicarem como é que é possível isto acontecer”, afirmou Jorge Pinto.

Mais veemente do que candidato apoiado pelo Livre foi André Ventura, para quem “a responsabilidade desta morte é do Governo e é da senhora ministra da Saúde”.

Considerando aquele caso de espera do INEM “inaceitável”, o candidato e líder do Chega afirmou que o Presidente da República “não pode ficar a olhar para o lado quando isto está a acontecer”, criticando Marcelo Rebelo de Sousa.

“Alguém tem que assumir a responsabilidade e essa responsabilidade é de quem chefia o Governo, quem comanda essas ações”, afirmou António Filipe, aludindo a Luís Montenegro.

O candidato apoiado pelo PCP recordou que o INEM “tem sido motivo de muitas notícias, por más razões, ou porque há atrasos no socorro com graves consequências”.

“O que este Governo está a fazer é que corta primeiro e pensa depois. As alterações no INEM são mais um exemplo disso: primeiro, corta e depois vê os resultados. Isto não se pode fazer em nenhuma área, mas se há área em que é mesmo criminoso fazê-lo, é na saúde”, afirmou Catarina Martins, apoiada pelo Bloco de Esquerda.

Já António José Seguro mostrou-se “completamente irritado” e “indignado” com a morte do homem no Seixal, criticando o “passa culpas” e a indisponibilidade de outros candidatos e partidos para contribuírem para um pacto na área da saúde.

“Outros preocupam-se a ver quem é que é a culpa. Esta coisa do passa culpas é também um problema. Eu quero é soluções”, defendeu o candidato apoiado pelo PS

No quarto dia de campanha para as presidenciais, apenas Luís Marques Mendes evitou criticar o Governo, cujos partidos (PSD e CDS-PP) o apoiam, recusando comentar se o executivo de Montenegro está a desiludir na área da saúde.

“A primeira coisa que devo dizer é que lamento profundamente o que aconteceu e a morte dessa pessoa. Essa é que é a péssima notícia. Não conheço as circunstâncias do caso, portanto, não posso pronunciar-me”, declarou.

Os portugueses elegem o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa em 18 de janeiro, numas eleições com recorde (11) de candidatos e cuja segunda volta, a realizar-se, decorrerá a 08 de fevereiro.

A campanha eleitoral, que arrancou no domingo, termina em 16 de janeiro.

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