A polícia venezuelana lançou gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes que se concentraram hoje em Caracas para reclamar aumentos salariais em frente ao Palácio presidencial de Miraflores.
”Vamos até Miraflores”, “Eles têm medo que o povo chegue a Miraflores”, gritavam os manifestantes às forças de segurança, segundo a agência de notícias France-Presse.
Agentes da polícia de intervenção, com escudos de proteção, lançavam granadas de gás lacrimogéneo para conter os manifestantes que ainda se encontravam no centro de Caracas, a poucos quilómetros do Palácio de Miraflores.
As manifestações são raras na Venezuela desde a onda de repressão contra as concentrações da oposição ao ex-presidente deposto Nicolás Maduro, que contestam a sua reeleição em 2024.
Os sindicatos e os trabalhadores queixam-se de salários “de miséria” congelados há quatro anos.
O salário mínimo mensal na Venezuela equivale atualmente a 0,27 dólares, com uma inflação anual superior a 600%.
Os salários podem chegar aos 150 dólares (cerca de 127 euros) com os subsídios pagos pelo Estado, mas esse montante continua a ser insuficiente para cobrir a cesta básica de uma família, estimada em 645 dólares (cerca de 550 euros).
Na quarta-feira, a Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, prometeu um “aumento responsável” dos salários, que têm sido afetados por anos de inflação e pelo colapso da economia ao longo dos últimos dez anos.
“Anuncio que, no dia 01 de maio, procederemos a um aumento e que esse aumento, tal como indicámos, será um aumento responsável”, declarou Rodríguez durante um discurso na televisão estatal, sem dar pormenores sobre os salários a que se referiu ou os montantes em equação pelo Governo.
Delcy Rodríguez anunciou uma série de medidas para dinamizar a economia do país, embora sem definir ações concretas, com promessas de um diálogo social, aumentos salariais, reformas fiscais e alterações à legislação imobiliária.
A governante, que assumiu o poder na sequência da captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, apelou para a correção dos “erros do passado”.
“O nosso objetivo imediato, a médio e a longo prazo, é recuperar de forma sustentada e gradual o rendimento dos trabalhadores através do crescimento produtivo, tanto na área dos hidrocarbonetos como na mineração, que geram rendimentos imediatos”, afirmou na mensagem ao país, com quase meia hora de duração, cuja transmissão falhou brevemente devido a uma queda de energia.
A governante ordenou também a constituição de outra comissão para a avaliação estratégica dos ativos do país, que será composta pelo Estado, pelo setor privado e pelos trabalhadores, embora tenha esclarecido que esse processo não vai incluir a indústria dos hidrocarbonetos.
Caso se concretize “a recuperação dos ativos” da Venezuela “bloqueados no estrangeiro”, no âmbito das sanções impostas ao país, esses recursos serão “destinados imediatamente” a garantir o aumento salarial e à “reabilitação das infraestruturas básicas”, disse a Presidente interina.