O deputado Nicolás Maduro Guerra, filho de Nicolás Maduro, denunciou hoje que a família está a ser “perseguida”, depois dos Estados Unidos terem capturado o ex-chefe de Estado venezuelano e a esposa, mas confia que ambos serão libertados.
“Hoje estamos com um ausente e com uma ausente”, disse Maduro Guerra durante a tomada de posse do Parlamento venezuelano para a legislatura 2026-2031.
Maduro Guerra assegurou que o seu pai e Cilia Flores, a quem chamou de “segunda mãe”, foram “sequestrados” por “serem revolucionários” e porque “não se venderam nem se irão vender”.
“Aproveito esta tribuna para denunciar que o meu nome foi incluído, assim como o do meu pai e da primeira combatente, na mesma acusação, (...) a minha pessoa e a minha família estão a ser perseguidas porque não somos compráveis”, afirmou.
Maduro e Flores foram capturados no último sábado por forças norte-americanas, durante os ataques executados pelos Estados Unidos da América em Caracas e três estados vizinhos, e apresentados hoje perante um tribunal federal de Nova Iorque para uma primeira audiência após a sua transferência para o país norte-americano.
Maduro Guerra disse que tem fé que “mais cedo ou mais tarde”, e “graças a toda a luta do povo, mobilizado dentro e fora do país”, ambos estarão livres e regressarão à Venezuela, o que será - previu - será um “momento histórico”.
“Aqui estamos a cumprir até que regressem, a pátria está em boas mãos, pai, e em breve vamos abraçar-nos aqui na Venezuela”, salientou.
Nesse sentido, anunciou o seu “apoio incondicional” à vice-presidente executiva, Delcy Rodríguez, que assumiu, como mandatária interina, os destinos do país após uma ordem do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ).
“Talvez tenham sequestrado Nicolás e Cilia, mas não sequestraram a consciência de um povo que decidiu ser livre. A ti, Delcy Eloína, o meu apoio incondicional para a tarefa tão dura que te cabe. Conta comigo, conta com a minha família, conta com a nossa firmeza para tomar os passos corretos à frente desta responsabilidade que hoje te cabe”, acrescentou.
O governante já tinha sido acusado em Manhattan, em março de 2020, num processo baseado numa investigação da agência antidrogas DEA, na qual já constavam acusações relacionadas com narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína e crimes com armas e dispositivos explosivos.
No mesmo sábado em que Maduro e a sua mulher foram detidos, o tribunal tornou pública uma acusação apresentada pelo Ministério Público que amplia a de 2020 e volta a apontá-lo como líder de uma rede de tráfico de droga e narcoterrorismo que, durante mais de duas décadas, terá utilizado o Estado venezuelano para introduzir grandes quantidades de cocaína nos Estados Unidos.
A acusação, conhecida como “imputação substitutiva”, acusa pela primeira vez Cilia Flores e o filho do chefe de Estado.
No total, há seis pessoas acusadas: além de Maduro e Flores, a lista inclui Nicolás Ernesto Maduro Guerra, filho do presidente e recém-empossado como deputado.
Os Estados Unidos lançaram no sábado “um ataque em grande escala contra a Venezuela”, capturando o Presidente venezuelano e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.
Entretanto, o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela entregou a presidência interina à vice-presidente executiva, Delcy Rodriguez, “de forma a garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da nação”.
A comunidade internacional tem-se dividido entre a condenação da ação dos Estados Unidos e o júbilo pela queda de Maduro.