Familiares de presos políticos pediram sexta-feira à presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e à encarregada de negócios dos Estados Unidos, Laura Dogu, para visitarem a prisão em Caracas onde se encontram os seus próximos.
Narwin Gil, irmã de um preso político, exigiu na sexta-feira à noite a visita de Rodríguez ao comando policial em Caracas - conhecido como Zona 7 -, onde permanecem muitos detidos à espera de libertações que não se concretizaram, apesar da Lei de Amnistia aprovada em fevereiro, manifestando a disposição dos familiares de estabelecerem um “diálogo cordial” com a governante.
“Delcy Rodríguez, como mulher, não veio solidarizar-se com este grupo de mulheres que aqui está a pernoitar, sofrendo. Está a chegar o Dia Internacional da Mulher. O que tem a dizer-nos? (...) Se sai todos os dias para cumprir tarefas, pode passar por aqui”, afirmou Gil.
Nas ruas próximas da Zona 7, os familiares reuniram-se e improvisaram uma caixa de reclamações num recipiente com água, onde depositaram o que consideraram “promessas não cumpridas” por parte das autoridades da Venezuela.
Entre as reclamações, destacaram que várias mães adoeceram enquanto aguardavam a libertação dos filhos, depois de terem garantido que passariam as noites junto à prisão desde janeiro, logo após o presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez, irmão de Delcy, anunciar a libertação de um “número significativo” de pessoas.
Os familiares denunciaram também o “incumprimento” de Jorge Rodríguez, depois de ter visitado a Zona 7 há um mês e prometido, no local, a libertação de “todos os detidos” no mesmo dia em que a Lei da Amnistia fosse aprovada.
Ainda que a lei tenha sido aprovada semanas depois, os familiares continuam a aguardar a libertação dos parentes.
O ativista Diego Casanova, também membro da ONG Comité pela Liberdade dos Presos Políticos, garantiu que na Zona 7 ainda há mais de 30 presos políticos, depois de vários terem sido libertados no âmbito da amnistia.
A ONG Foro Penal contabiliza 526 presos políticos na Venezuela, embora o Governo negue que haja pessoas presas por esses motivos, afirmando que as mesmas cometeram vários crimes.
O Parlamento venezuelano, controlado pelo chavismo, informou na sexta-feira que um total de 7.654 pessoas foram beneficiadas pela amnistia.
Aprovada em fevereiro, a Lei de Amnistia contempla um período de 27 anos, desde 1999 — quando o chavismo chegou ao poder —, mas estabelece que será concedida a pessoas ligadas a 13 “factos” ocorridos em 13 anos diferentes.
O Fórum Penal confirmou a libertação de 639 pessoas desde 08 de janeiro, incluindo beneficiários da Lei de Amnistia, informou nesta sexta-feira o seu presidente, Alfredo Romero.
Também hoje, a maior coligação da oposição na Venezuela, agrupada na Plataforma Unitária Democrática, informou que contabiliza 675 pessoas libertadas desde 08 de janeiro e exigiu “mais processos de libertação em larga escala, rápidos, públicos e transparentes, que garantam a liberdade de todos os presos políticos”.