Centenas de venezuelanos concentraram-se hoje na Porta do Sol, em Madrid, a celebrar a detenção do Presidente da Venezuela, mas em Zaragoza uns regozijavam-se e outros contestavam a intervenção norte-americana, cenário que pode repetir-se nos próximos dias.
A embaixada dos Estados Unidos em Espanha emitiu um aviso devido à realização de manifestações contra a política norte-americana previstas em vários pontos do país este fim de semana, incluindo concentrações nas imediações da embaixada em Madrid, nas sedes consulares em Barcelona e Valência, e noutras cidades que poderão afetar os acessos.
Isto poucas horas depois de centenas de venezuelanos se terem concentrado na zona madrilena da Porta do Sol para celebrar a captura do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante uma operação conduzida pelos Estados Unidos.
Gritando “já caiu, já caiu, este Governo já caiu” e envergando bandeiras venezuelanas, os manifestantes mostravam-se “felizes e esperançosos”, tal como afirmou à agência Europa Press Gabriela Bello, uma das participantes na concentração.
“Estamos aqui porque María Corina Machado e Edmundo González [lideres da oposição na Venezuela] precisam que aqueles de nós que estamos fora nos mantenhamos mobilizados. Temos a esperança de que (...) a Venezuela tome outro rumo, da liberdade e da livre expressão”, expressou Mariana Gonzáles, que reside em Madrid há 10 anos e que deixou a Venezuela “fugindo da ditadura”.
Noutro local de Espanha e também em França e até nos Estados Unidos houve também manifestações de contestação à intervenção militar ordenada por Donald Trump na Venezuela.
A praça de Espanha, em Saragoça, viveu momentos de tensão ao coincidirem no mesmo local dezenas de venezuelanos que celebravam a queda de Nicolás Maduro, com uma concentração em protesto contra o “imperialismo” dos Estados Unidos na América Latina, embora sem se registarem incidentes graves.
Venezuelanos residentes na capital aragonesa foram-se reunindo na praça de Espanha, envergando bandeiras do seu país para festejar a queda de Maduro.
Num ambiente festivo, entoaram gritos a favor da liberdade, mas no mesmo local ocorreu uma concentração sob o lema “Abaixo o imperialismo. Fora os Estados Unidos (EUA) da Venezuela e da América Latina”, sob uma forte presença policial.
Na manifestação contra a intervenção de Washington dezenas de pessoas, maioritariamente espanholas, gritaram contra a ação dos EUA, acusando-os de apenas defenderem os seus interesses económicos.
Em Paris, pelo menos mil pessoas convocadas por partidos e organizações de esquerda e de extrema-esquerda concentraram-se para protestar contra a intervenção norte-americana.
Entre os manifestantes havia algumas bandeiras venezuelanas e até colombianas, mas sobretudo dos partidos e organizações que convocaram a manifestação, como o LFI, o Partido Comunista Francês (PCF), os Ecologistas ou o Partido dos Trabalhadores.
“Abaixo a guerra, abaixo o império”, clamou no final do seu discurso o líder da França Insubmissa (LFI), Jean-Luc Mélenchon, conhecido pela sua proximidade com o Governo de Nicolás Maduro na Venezuela.
Mélenchon disse que, além da Venezuela, Washington ameaça o México, a Colômbia e o Brasil e que nos assuntos internacionais “não pode existir mais do que um direito, não podem existir critérios distintos segundo a conveniência” e que “as fronteiras devem ser invioláveis”.
Nos Estados Unidos, dezenas de representantes da diáspora venezuelana e cubana reuniram-se no estado da Florida para “celebrar e agradecer” a captura do Presidente venezuelano, mas organizações norte-americanas anunciaram já a convocação de manifestações contra a intervenção na Venezuela.
“Temos de dizer não a outra guerra sem fim! Uma guerra dos Estados Unidos causaria morte e destruição na Venezuela”, afirmou a Coalizão Answer, um dos grupos que apelou para um dia de ação.
Já há ações convocadas para Times Square (Nova Iorque), Chicago, em frente à Casa Branca (Washington), e em sedes de câmaras municipais e capitólios estaduais.
Os Estados Unidos lançaram hoje “um ataque em grande escala contra a Venezuela”, para capturar e julgar o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher Cilia Flores, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.
O anúncio foi feito por Donald Trump, horas depois do ataque contra Caracas, não sendo ainda claro quem vai dirigir o país após a queda de Maduro. O chefe de Estado norte-americano admitiu uma segunda ofensiva contra o país se for necessário.
O Governo venezuelano denunciou a “gravíssima agressão militar” dos Estados Unidos e decretou o estado de exceção.