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UE apela à "cessação imediata das hostilidades" no leste da RDCongo

JM-Madeira

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Data de publicação
31 Outubro 2022
17:38

A diplomacia da União Europeia apelou hoje à "cessação imediata das hostilidades" no leste da República Democrática do Congo (RDCongo) pela escalada de tensões, nas últimas semanas, entre o exército congolês e o Movimento 23 de Março (M23).

"A União Europeia apela à cessação imediata das hostilidades, à retirada da M23 das áreas ocupadas e ao desarmamento de todos os grupos armados", afirma em comunicado o porta-voz do Alto Representante da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros, Josep Borrell.

Dias depois de a RDCongo ter expulsado o seu embaixador em Kinshasa, colocando em alerta as forças de segurança ruandesas na fronteira, o porta-voz da diplomacia comunitária vinca que a implementação "efetiva" dos compromissos políticos assumidos é "o único caminho possível".

Em nome de Josep Borrell, o porta-voz manifesta ainda a solidariedade da UE para com os "milhares de civis mais uma vez duramente atingidos por esta violência".

No sábado, a RDCongo anunciou a expulsão do embaixador ruandês em Kinshasa, ao mesmo tempo que os combates se intensificavam no leste do país contra a rebelião M23, que a República Democrática do Congo acusa o Ruanda de apoiar.

A decisão surgiu após uma reunião do Conselho Superior de Defesa da RDCongo, presidido pelo Presidente congolês Felix Tshisekedi, que relatou "uma chegada maciça de elementos do exército ruandês" para apoiar o M23 "com vista a uma ofensiva geral contra as posições das forças armadas congolesas".

As cidades de Rutshuru e Kiwanja, no leste, perto da fronteira com o Ruanda e o Uganda, foram tomadas pelo movimento rebelde.

Em Goma ocorreram hoje manifestações contra o Ruanda. Os manifestantes, incluindo centenas de motociclistas, alguns armados com paus e pedras, tomaram as ruas da cidade de mais de um milhão de habitantes, capital da província de Kivu do Norte e dirigiam-se para a "grande barreira", um posto fronteiriço entre a RDCongo e o Ruanda, antes de terem sido dispersados pela polícia congolesa com gás lacrimogéneo.

Os manifestantes cantaram "FARDC [Forças Armadas da RDCongo], deem-nos armas", além de ‘slogans’ contra o Ruanda e o Uganda.

"Denunciamos a hipocrisia da comunidade internacional face à agressão do Ruanda". Estamos a sofrer por causa do Ruanda, já é suficiente. Queremos enviar uma mensagem [ao Presidente ruandês Paul] Kagame", disse Mambo Kawaya, um representante da sociedade civil, no meio da multidão.

Os manifestantes queimaram bandeiras com o emblema da ICGLR (Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos) numa das principais avenidas da cidade, diante de agentes da polícia.

O M23, constituído principalmente por tutsis, voltou a pegar em armas em 2021 e conseguiu, nos últimos dias, tomar as cidades de Kiwanja e Rutshuru, localizadas ao longo da estrada principal que serve Goma. Peritos da Organização das Nações Unidas (ONU) acusaram o Uganda e o Ruanda de apoiarem os rebeldes, embora ambos os países o tenham negado.

O M23 é acusado desde novembro de 2021 de realizar ataques contra posições do exército no Kivu do Norte, apesar das autoridades congolesas e o M23 terem assinado um acordo de paz em dezembro de 2013, na sequência de combates desde 2012 com o exército, que foi apoiado pelas tropas da ONU.

O aumento da tensão no leste da RDCongo também levou a missão das Nações Unidas no país a "elevar o nível de alerta" das suas tropas em apoio às forças armadas congolesas nas suas operações contra o M23.

LUSA

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