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Ucrânia: Zelensky propõe cessar-fogo para alvos energéticos

Data de publicação
06 Abril 2026
21:47

A Ucrânia apresentou uma proposta à Rússia, através de mediadores norte-americanos, de um cessar-fogo nos ataques contra as infraestruturas energéticas de ambos os países, anunciou hoje o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

“Se a Rússia estiver disposta a parar de atacar o nosso setor energético, nós também estaremos. E esta nossa proposta — transmitida através dos americanos — já foi comunicada à Rússia”, afirmou Zelensky no seu pronunciamento diário.

Zelensky tinha acusado no sábado a Rússia de intensificar os seus ataques contra a Ucrânia em vez de responder à sua proposta de uma trégua durante o período da Páscoa ortodoxa.

Moscovo, por sua vez, comentou que não tinha visto “nenhuma iniciativa claramente formulada” por parte de Kiev, ao mesmo tempo que prossegue os seus bombardeamentos diários contra o país vizinho.

“Neste momento, é claro, o mercado petrolífero e os mercados globais em geral estão em crise devido à situação não resolvida em torno do Irão. Os países produtores de petróleo — e a Rússia está entre eles — podem agora lucrar mais. E os nossos drones e mísseis estão a limitar a Rússia neste aspeto”, observou hoje o Presidente ucraniano, citado pela agência Ukrinforme.

Zelensky agradeceu também aos parceiros que continuam a exercer pressão, incluindo sanções, a apreensão de petroleiros e restrições ao fornecimento de equipamento moderno à Rússia.

“Tudo o que os russos conseguirem arrecadar com o choque dos preços do petróleo vão gastá-lo na guerra. Essa prioridade deles ainda não mudou. Portanto, qualquer restrição que impusermos à sua capacidade de exportar petróleo é a medida certa. Se a Rússia estiver disposta a cessar os ataques ao nosso setor energético, estaremos dispostos a responder da mesma forma”, insistiu.

Segundo o Presidente ucraniano, na última semana, a Rússia lançou mais de 2.800 drones de ataque, cerca de 1.350 bombas planadoras de alta potência e acima de 40 mísseis de vários tipos.

Um ataque com drones russos à cidade portuária de Odessa, no sul da Ucrânia, matou hoje duas mulheres e uma criança de 2 anos, segundo as autoridades locais.

Moscovo acusou hoje pelo seu lado a Ucrânia de danificar o terminal do Consórcio do Oleoduto do Cáspio (CPC), em Novorossiysk, um porto russo no Mar Negro.

Em comunicado, o Ministério da Defesa russo afirmou que os ataques com drones durante a última madrugada provocaram um incêndio em quatro tanques no terminal do CPC e danificaram um oleoduto e um cais de carregamento.

O ministério alegou que Kiev procura desestabilizar o mercado global de hidrocarbonetos e interromper o fornecimento de produtos petrolíferos aos consumidores europeus.

Este terminal facilita a exportação de petróleo através do oleoduto CPC, um dos maiores do mundo, que tem origem nos campos petrolíferos do Cazaquistão e atravessa a Rússia até ao Mar Negro.

Entre os acionistas do CPC estão as gigantes petrolíferas norte-americanas Chevron e ExxonMobil.

Sem mencionar o terminal CPC, o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) afirmou hoje que atacou, em conjunto com unidades das forças armadas, o terminal petrolífero de Cheskharis, também localizado no porto de Novorossiysk.

Segundo a entidade ucraniana, o complexo de Cheskharis é “um dos mais importantes complexos de transbordo de petróleo e derivados do sul da Rússia”

O SBU declarou que o ataque danificou “seis dos sete cais de carga e descarga de petróleo”, um “bloco de junção da rede de oleodutos” e provocou incêndios de grandes proporções no local.

No final de novembro, ataques com drones navais, atribuídos a Kiev, danificaram gravemente o terminal do CPC.

A Ucrânia tem atacado repetidamente terminais de carregamento de petróleo no Mar Negro e no Mar Báltico, utilizados pela Rússia para exportar petróleo bruto, bem como os petroleiros associados à chamada “frota fantasma” russa, usada para contornar as sanções internacionais.

Kiev ameaça minar a capacidade de refinação, armazenamento e exportação de petróleo para reduzir o combustível disponível para as forças armadas e as receitas de Moscovo para alimentar o esforço de guerra.

Com a guerra na Ucrânia em segundo plano devido ao conflito iniciado em 28 de fevereiro pelos Estados unidos e Israel contra o Irão, as negociações entre as partes promovidas pelos Estados Unidos não têm conhecido avanços nas últimas semanas.

A última ronda trilateral foi realizada em Genebra, Suíça, em 17 e 18 de fevereiro e terminou com as partes afastadas sobre os temas essenciais das conversações, que dizem respeito ao futuro das regiões reivindicadas pela Rússia no leste da Ucrânia e garantias de segurança a Kiev para prevenir uma nova agressão de Moscovo.

A guerra no Médio Oriente tem beneficiado a Rússia, através do levantamento parcial e temporário das sanções norte-americanas contra o comércio de petróleo russo, como parte dos esforços para conter a alta instabilidade nos mercados mundiais desde o início deste novo conflito.

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