O diretor executivo do Conselho de Política Externa da Ucrânia disse hoje em Mafra que Kiev quer integrar a União Europeia, reconhecendo, porém, que a insegurança provocada pelo conflito com a Rússia é um desafio a ter em conta.
“A União Europeia (UE) é o nosso parceiro estratégico na reconstrução”, defendeu Hennadiy Maksak, no encontro Mafra Dialogues 2026 que hoje decorreu, mostrando-se a favor de alianças e da intenção expressa em 2022 de o país vir a integrar o bloco atualmente com 27 Estados-membros.
O responsável falava num painel dedicado ao tema “O alargamento da União Europeia e o futuro da paz na Ucrânia”.
Na intervenção, o diretor executivo do Conselho de Política Externa da Ucrânia lembrou que o plano de paz, impulsionado pelos Estados Unidos, mencionava a integração europeia da Ucrânia em 2027.
“Nós tentamos alinhar tudo até ao fim de 2027, entendendo que pode ser para nós uma boa demonstração de que estamos a fazer o que podemos nas circunstâncias em que estamos neste momento”, adiantou.
“Temos um grande número de ucranianos nos Estados-membros da União Europeia e somos gratos por todo o apoio que eles têm dado”, sustentou, lembrando que “ainda não é seguro voltar para a Ucrânia” e, nesse sentido, refletiu sobre as decisões sobre o que fazer depois de 2027.
“Nós precisamos do seu [União Europeia] apoio, mas ao mesmo tempo nós também reconhecemos que o ambiente em que estamos não é apenas a insegurança da Ucrânia, é a insegurança de toda a Europa”, admitiu.
O responsável defendeu que a “segurança” deverá ser construída em conjunto entre a Ucrânia e a UE, para que a estratégia do país se “encaixe” na da segurança do próprio bloco.
Para o diretor executivo do Conselho de Política Externa da Ucrânia, quando “a Ucrânia for parte da União Europeia, será mais fácil prevenir futuras incursões da Rússia para a União Europeia”.
Além disso, justificou, “mais de metade dos europeus ainda estão a favor de ajudar os ucranianos, porque pensam e sentem que somos da mesma identidade europeia”.
No processo de adesão à União Europeia, Hennadiy Maksak vê na Hungria um entrave, classificando Budapeste como um “cavalo de Tróia”, numa referência às ligações do atual executivo húngaro a Moscovo.
Kiev apresentou formalmente o pedido de adesão à UE em 28 de fevereiro de 2022, poucos dias depois do início da invasão russa.
Tem estatuto de país candidato desde 23 de junho desse mesmo ano.
Em meados de dezembro de 2023, o Conselho Europeu decidiu abrir as negociações formais de adesão à UE com a Ucrânia.