O Tribunal Superior de Pietermaritzburg, KwaZulu-Natal, decidiu que Jacob Zuma, ex-presidente da República da África do Sul e o seu co-acusado, se devem preparar, imediatamente, para o início do julgamento por corrupção, venda e tráfico armas. Demasiadas vezes proteladas e há muito aguardado, o tribunal determinou que o ex-chefe de Estado vai mesmo a julgamento, e determinou que Zuma e a companhia francesa de armamento Thales deveriam parar de atrasar, deliberadamente, o processo.
O Juiz Nkosinathi Chili ordenou que o início do julgamento comece em 1 de fevereiro de 2027, após atrasos excessivos que se protelaram por mais de duas décadas.
O ex-presidente da República da África do Sul, enfrenta 16 acusações de corrupção, extorsão, fraude, lavagem de dinheiro que remontam à década de 90s.
Zuma, declarou-se inocente em maio de 2021 e o julgamento sofreu inúmeros atrasos devido à sua estratégia de defesa “Estalinegrado” com atualizações recentes em maio de 2026 indicando que o julgamento terá de prosseguir apesar de novos desafios legais.
Em Bloemfontein, Free State, esta sexta-feira, o Supremo Tribunal de Apelo confirmou a decisão do Tribunal Superior em reestabelecer 783 acusações de corrupção apresentadas contra Zuma mesmo antes de ser investido nas funções de presidente da República da África do Sul.
A Procuradoria-Geral da República saudou a decisão, afirmando que ela estabelece um precedente claro contra as chamadas táticas de “Stalingrado” que permitem réus ricos atrasarem a justiça indefinidamente.
Num outro caso independente de todos os outros, em 2021, Jacob Zuma foi preso no dia 7 de julho após o Tribunal Constitucional considerá-lo culpado por desacato ao tribunal e condenado a uma pena de 15 meses de prisão, da qual só cumpriu 60 dias, tendo sido restituído à liberdade sob o pretexto do seu estado de saúde ser muito frágil.
Surgiram de imediato as manifestações de apoio a Zuma as quais descambaram para uma onda de violência com assaltos, roubos, pilhagens e incendiados vários estabelecimentos comerciais no país cuja agitação social deixou 354 pessoas mortas.
Emigrantes madeirenses foram vítimas destas afrontas e desrespeitos criminosos em várias regiões do país com perdas muito elevadas e paralisação de negócios.
As acusações tiveram origem em Zuma pelo facto de se ter recusado prestar depoimento à comissão Zondo, uma comissão judicial de inquérito, para investigar alegações de captura do Estado, corrupção e fraude no sector público, incluindo órgãos do Estado.