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Tensão entre exército e manifestantes antigovernamentais em protesto no Sri Lanka

JM-Madeira

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Data de publicação
03 Abril 2022
17:54

Um impasse tenso no Sri Lanka colocou hoje o exército contra os manifestantes que protestavam contra a crise económica sem precedentes do país, após um bloqueio dos meios de comunicação social que não conseguiu impedir comícios antigovernamentais.

Os protestos no país do sudeste asiático foram desencadeados por graves carências de bens essenciais, subida de preços e longos cortes de energia.

O Presidente Gotabaya Rajapaksa impôs o estado de emergência na sexta-feira, um dia depois de multidões tentarem invadir a sua residência na capital, Colombo, e foi imposto um recolher obrigatório a nível nacional até segunda-feira de manhã.

Twitter, Facebook, WhatsApp, YouTube e Instagram foram tornados inacessíveis em todo o país, um bloqueio denunciado pela principal aliança da oposição, a Samagi Jana Balawegaya (SJB).

Antes da entrada em vigor do bloqueio, ativistas anónimos tinham publicado online apelos para novos protestos em massa hoje, acompanhados de hashtags antigovernamentais como #GoHomeRajapaksas ("Fora com os Rajapaksas").

"Não se deixe dissuadir pelo gás lacrimogéneo, muito em breve ficarão sem dólares para reabastecer", lia-se num post publicado sábado.

Apesar destas medidas, várias centenas de pessoas, lideradas por deputados da oposição, reuniram-se hoje fora da residência do líder da oposição, Sajith Premadasa, e dirigiram-se para a Praça da Independência, em Colombo, desafiando o recolher obrigatório em vigor.

Mas foram rapidamente impedidos de avançar por um dos militares e polícias armados com espingardas de assalto. Seguiu-se um impasse tenso entre os dois lados durante cerca de duas horas, antes de a multidão se dispersar pacificamente.

Normalmente, o papel do exército limita-se a apoiar a polícia. Mas com o estado de emergência proclamado sexta-feira à noite pelo Presidente Rajapaksa, esta pode intervir por iniciativa própria, incluindo a detenção de civis.

"É melhor que o Presidente Rajapaksa perceba que a maré já se virou contra o seu regime autocrático", disse Harsha de Silva, deputada do SJB.

"Não podemos tolerar uma tomada de controlo militar. Eles devem saber que ainda somos uma democracia", acrescentou.

O país de 22 milhões de pessoas vive a sua pior crise económica desde a independência, em 1948.

O turismo e as remessas da diáspora, vitais para a economia, entraram em colapso durante a pandemia e as autoridades impuseram uma ampla proibição às importações para tentar poupar moeda estrangeira.

As más decisões políticas têm agravado os problemas, dizem os economistas. Cortes fiscais, pouco antes da pandemia, privaram o governo de receitas e fizeram disparar a dívida. A crise atual ameaça frustrar as esperanças de um renascimento do turismo.

O Sri Lanka pediu ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI), mas as negociações poderão durar até ao final do ano.

Lusa

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