A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, prometeu na quarta-feira um “aumento responsável” dos salários, corroídos por anos de inflação e pelo colapso da economia ao longo da última década.
“Anuncio que, no dia 01 de maio, procederemos a um aumento e que esse aumento, tal como indicámos, será um aumento responsável”, declarou Rodríguez durante um discurso na televisão estatal, sem dar pormenores sobre os salários a que se referiu ou os montantes em equação pelo Governo.
Delcy Rodríguez anunciou uma série de medidas para dinamizar a economia do país, embora sem definir ações concretas, que incluem a revisão do modelo chavista, com a promessa de um diálogo social, aumentos salariais, reformas fiscais e alterações à legislação imobiliária.
A mandatária, que assumiu o poder após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, apelou à correção dos “erros do passado” e a “não os repetir”.
“O nosso objetivo imediato, a médio e a longo prazo, é recuperar de forma sustentada e gradual o rendimento dos trabalhadores através do crescimento produtivo, tanto na área dos hidrocarbonetos como na mineração, que geram rendimentos imediatos”, afirmou na mensagem ao país, com quase meia hora de duração, cuja transmissão falhou brevemente devido a uma queda de energia.
O montante do salário mínimo mensal na Venezuela está congelado desde março de 2022 num montante que equivalia então a 30 dólares (26 euros), mas a inflação crónica e a desvalorização mantêm-no hoje em 27 cêntimos de dólar (23 cêntimos de euro), de acordo com a taxa de câmbio oficial.
Rodríguez confirmou que, em março passado, um bónus mensal recebido pelos funcionários públicos em bolívares, ao câmbio oficial do dia, e que não tem impacto nos benefícios laborais, aumentou de 160 para 190 dólares (de 137 para 163 euros), na sequência de uma venda de fuelóleo, um combustível derivado do petróleo, no contexto da abertura do setor petrolífero e das aproximações com os Estados Unidos.
Além disso, a líder chavista informou da criação de uma comissão para o “diálogo laboral”, no contexto de protestos de trabalhadores, que exigem aumentos salariais.
Os anúncios surgiram na véspera de uma marcha convocada por sindicalistas até à sede do Executivo, no centro de Caracas, para exigir respostas às reivindicações.
A governante ordenou também a constituição de outra comissão para a avaliação “estratégica” dos ativos do país, que será composta pelo Estado, pelo setor privado e pelos trabalhadores, embora tenha esclarecido que esse processo não incluirá a indústria dos hidrocarbonetos.
Caso se concretize “a recuperação dos ativos” da Venezuela “bloqueados no estrangeiro” no âmbito das sanções que impendem sobre o país, esses recursos serão destinados “imediatamente” a garantir o aumento salarial e à “reabilitação das infraestruturas básicas”, como as de fornecimento de eletricidade e água, estradas, escolas e hospitais, disse a presidente interina.