Pelo menos 45 pessoas morreram desde quarta-feira no Afeganistão e no Paquistão devido a chuvas intensas e tempestades violentas, anunciaram hoje os serviços de emergência de ambos os países.
“De 26 de março até hoje, 28 pessoas morreram [...] devido às chuvas, inundações, deslizamentos de terra e quedas de raios”, declarou na rede social X a Autoridade Nacional de Gestão de Catástrofes (ANDMA) do Afeganistão.
Até domingo, as mesmas autoridades tinham dado conta de 17 mortes e de 26 feridos.
Por sua vez, mo Paquistão, 17 pessoas, incluindo 14 crianças, perderam a vida na província setentrional de Khyber Pakhtunkhwa entre quarta-feira e hoje, segundo a Agência Provincial para Situações de Emergência.
Segundo as agências meteorológicas dos dois países, o mau tempo, “com mais chuvas intensas”, vai continuar.
O número de vítimas nos dois países poderá aumentar à medida que equipas de gestão de catástrofes inspecionam as áreas afetadas.
No Afeganistão, 13 das 34 províncias, principalmente nas regiões ocidental, central e noroeste do país, foram afetadas.
O mau tempo também deixou 147 casas, total ou parcialmente, destruídas, arrasou 80 quilómetros de estradas e destruiu terras agrícolas, canais de irrigação e empresas. No total, segundo as autoridades locais, “530 famílias foram afetadas”.
As previsões antecipam para hoje chuva forte nas regiões leste e centro do país, havendo alertas de possíveis inundações.
As autoridades de gestão de catástrofes dos dois países alertaram também os residentes para que evitem as margens dos rios e as áreas em risco de inundações nessas regiões, e ordenou que as autoridades locais ficassem de prontidão para prestar assistência.
No início deste ano, fortes nevões e inundações repentinas causaram a morte de dezenas de pessoas em todo o país.
O Afeganistão é muito vulnerável a fenómenos meteorológicos extremos, com neve e chuvas intensas que provocam inundações repentinas, muitas vezes matando dezenas, ou mesmo centenas, de pessoas de uma só vez.
Em 2024, mais de 300 pessoas morreram em inundações repentinas na primavera.
Décadas de conflito, aliadas a infraestruturas precárias, uma economia em dificuldades, a desflorestação e os efeitos cada vez mais intensos das alterações climáticas, amplificaram o impacto desses desastres, particularmente em áreas remotas onde muitas casas são construídas em barro e oferecem proteção limitada contra chuvas torrenciais repentinas ou nevões intensos.