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Médio Oriente: ONU denuncia possíveis crimes de guerra de Israel no Líbano

Data de publicação
24 Abril 2026
12:13

Israel poderá ter cometido graves violações do direito internacional e crimes de guerra nos recentes ataques ao Líbano, denunciou hoje o Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Os ataques israelitas contra trabalhadores da saúde e jornalistas poderão constituir crimes de guerra se for comprovado que foram deliberados, advertiu o organismo dirigido pelo alto-comissário Volker Turk num relatório citado pela agência de notícias espanhola EFE.

O relatório do organismo da ONU com sede em Genebra, Suíça, refere-se às três primeiras semanas dos ataques israelitas iniciados no princípio de março, que causaram mais de dois mil mortos.

O alto-comissariado documentou ataques diretos contra civis, incluindo pessoal médico, e incidentes nos quais foram atingidos e, em alguns casos, arrasados edifícios residenciais de vários andares, “causando a morte de famílias inteiras”.

Ao apresentar o relatório, o porta-voz do organismo, Thameen Al-Kheetan, recordou o assassínio da jornalista libanesa Amal Khalil, que foi morta na quarta-feira num ataque israelita no qual também ficou ferida a fotógrafa Zeinab Faraj.

Denunciou também que equipas de resgate, incluindo as da Cruz Vermelha libanesa, foram impedidas pelo exército israelita de chegar ao local para socorrer as jornalistas.

No relatório, o Alto-Comissariado para os Direitos Humanos denunciou que muitos dos ataques não foram precedidos de avisos por parte de Israel, o que impediu muitos civis de abandonarem os locais em segurança.

Ao mesmo tempo, as ordens gerais de evacuação e deslocação de Israel, “comunicadas de forma confusa e que abrangem quase 14% do território do Líbano”, provocaram a fuga de mais de um milhão de pessoas.

Esta situação poderá ser considerada deslocação forçada, também proibida pelo direito internacional, assinalou.

A agência da ONU referiu que 55 localidades do sul do Líbano, perto da fronteira com Israel, continuam hoje sob tais ordens.

As Nações Unidas observaram também ataques a centros de saúde, escolas, locais religiosos, e a destruição ou contaminação de campos de cultivo, prejudicando os direitos à alimentação, ao trabalho e a um ambiente saudável.

O relatório contém ainda denúncias sobre o uso de munições de fósforo branco, com efeitos incendiários, por parte do exército israelita.

Perante estes possíveis abusos, Turk apelou a uma investigação rápida, exaustiva e imparcial de todos os incidentes que envolvam alegações de violações do direito internacional humanitário.

“As conclusões devem ser tornadas públicas e os responsáveis devem prestar contas”, disse o porta-voz Al-Kheetan.

O Alto-Comissariado para os Direitos Humanos já tinha denunciado anteriormente a morte de jornalistas palestinianos na Faixa de Gaza pelas forças de Israel.

“Temos testemunhado e documentado muitos ataques contra jornalistas, o que é inaceitável”, afirmou Al-Kheetan em 26 de agosto de 2025.

“Pelo menos 247 jornalistas palestinianos foram mortos em Gaza desde 07 de outubro de 2023. Estes jornalistas são os olhos e os ouvidos do mundo inteiro. E devem ser protegidos”, acrescentou então.

Israel tem em curso uma ofensiva militar no Líbano desde que foi atacado pelo grupo xiita libanês Hezbollah em 02 de março, em retaliação pela morte do ‘ayatollah’ Ali Khamenei.

O então guia supremo iraniano foi morto em 28 de fevereiro, no primeiro dia dos ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irão que desencadearam a atual guerra no Médio Oriente.

O Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra por Israel ter considerado que o grupo pró-Irão tinha violado um cessar-fogo anterior no conflito que travam desde que praticamente foi criado, em 1982, precisamente em resposta à invasão israelita do país.

Além de mais de quatro mil mortos em vários países, maioritariamente no Irão e no Líbano, a guerra causou o bloqueio dos transportes marítimos no estreito de Ormuz, prejudicando as economias regionais e a nível internacional.

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