O Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, acusou hoje Israel de “minar todos os esforços” de paz no Médio Oriente, ao referir-se ao conflito contra o Irão que se estendeu a outros países da região.
”O Governo israelita continua a minar todos os esforços destinados a pôr fim à guerra”, declarou o chefe de Estado turco no final de uma reunião do Conselho de Ministros, prometendo “prosseguir com esforços sinceros” enquanto “houver a mínima hipótese de silenciar as armas e espaço para negociações”.
A Turquia, juntamente com o Egito e através do Paquistão, tenta promover um cessar-fogo no Irão, numa altura em que a guerra desencadeada a 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel afeta toda a região do Golfo Pérsico.
”À medida que a guerra se prolonga, alertámos para o risco de conflito se propagar a outros países”, prosseguiu Erdogan.
“No 38.º dia do conflito, continuamos, infelizmente, a nutrir as mesmas preocupações pela nossa região”, adiantou.
O líder turco avançou que, face ao aumento dos riscos, Ancara está a “intensificar os contactos diplomáticos”.
”Se houver a mais ínfima possibilidade de silenciar as armas e abrir espaço para negociações, estamos a envidar esforços sinceros para a aproveitar”, precisou.
“A nossa esperança é que esta guerra ilegal, insensata, ilegítima e extremamente dispendiosa para toda a humanidade termine o mais rapidamente possível”, acrescentou.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, confirmou hoje a proposta de um cessar-fogo apresentada por países mediadores, mas considerou-a insuficiente.
“Ainda não é suficiente, mas é um passo muito significativo”, afirmou Trump durante uma conferência de imprensa à margem de uma cerimónia de Páscoa na Casa Branca, em Washington.
Segundo o portal norte-americano Axios, a proposta foi apresentada por mediadores do Paquistão, Egito e Turquia e prevê uma pausa de 45 dias nas hostilidades para permitir negociações diplomáticas.
O plano inclui uma primeira fase de cessar-fogo temporário, passível de prorrogação, seguida de negociações destinadas a alcançar um acordo de paz duradouro entre Washington e Teerão.
Apesar de reconhecer a relevância da proposta, Trump não indicou qualquer compromisso imediato com a sua implementação, mantendo em aberto a continuidade das operações militares.
O Irão enviou entretanto uma proposta aos Estados Unidos, na qual rejeita um cessar-fogo temporário e exige um fim permanente para o conflito, segundo informou a agência de notícias estatal iraniana IRNA.
A proposta, transmitida pelo Paquistão, consiste em 10 pontos, incluindo o fim das hostilidades na região, um protocolo para a passagem segura pelo Estreito de Ormuz e o levantamento das sanções contra Teerão, segundo a agência oficial iraniana, referindo que obteve uma cópia do documento.
Os Estados Unidos e Israel têm em curso desde 28 de fevereiro uma ofensiva militar de grande envergadura contra o Irão, que já causou mais de três mil mortos na região do Golfo.
Teerão respondeu com ataques contra interesses norte-americanos e israelitas nos países do Golfo Pérsico, além de bloquear o Estreito de Ormuz, o que fez disparar os preços do petróleo.