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Mali enfrenta uma crise alimentar que afeta 1,2 milhões de pessoas

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Data de publicação
09 Dezembro 2021
14:17

O Mali enfrenta uma crise alimentar que afeta 1,2 milhões de pessoas, quase o triplo de pessoas face aos números do ano passado, advertiu hoje uma coligação de 22 organizações humanitárias que trabalham no país.

A crescente insegurança, a seca e a pandemia de covid-19 mergulharam o país numa crise que parece estar prestes a agravar-se, alertam as organizações??????.

"As projeções indicam um aumento adicional de 58% no número de pessoas em insegurança alimentar no próximo ano", declarou a chefe do grupo de trabalho humanitário do Fórum Internacional das Organizações Não-Governamentais (Fongim), Adeline Benita, no Mali.

Segundo as organizações, os níveis de fome são os mais elevados registados desde o início da crise do Mali em 2012, quando grupos rebeldes tuaregues, juntamente com organizações 'jihadistas', assumiram o controlo do norte do país durante dez meses.

O conflito também atingiu duramente este país na conturbada região do Sahel e causou a perda de 225.000 hectares de campos de mais de 3 milhões de pessoas, principalmente nas regiões de Mopti, Ségou e Timbuktu.

A insegurança prevalecente, com máfias e grupos terroristas a operar no país, obrigou 400.000 pessoas a fugir das suas casas e a abandonar os seus campos, dizem as organizações não-governamentais (ONG).

"A crescente influência de atores armados na capacidade de livre circulação das pessoas tem impedido famílias vulneráveis de acederem à ajuda, aos seus campos, áreas de transumância e mercados próximos", declarou a nota das organizações não-governamentais (ONG), citada pela agência de notícias Efe.

Todos estes fatores levaram a um aumento, este ano, de cerca de 20% nos preços de alimentos básicos como o milho e o arroz em algumas regiões como Gao, deixando estas famílias incapazes de os comprar.

A ajuda externa para a crise alimentar também tem sido "fraca" em 2021, alertam as organizações.

Especificamente, foram doados 52 milhões de euros, cerca de um quarto dos 205 milhões de euros necessários.

"Os níveis de financiamento humanitário têm vindo a diminuir constantemente", denunciaram as ONG.

Para além das 1,2 milhões de pessoas que não têm nada para comer no Mali, outras 3,5 milhões de pessoas estão atualmente à beira da insegurança alimentar, de acordo com a declaração, citando dados do Cluster da Segurança Alimentar, um número que aumentará para 1,9 milhões e 4,5 milhões até 2022 se não forem tomadas medidas para resolver a situação.

Segundo a declaração, no Mali, 767.773 crianças sofrem de subnutrição, das quais quase 200.000 estão gravemente subnutridas.

Entre as organizações signatárias do comunicado estão a Action Against Hunger, o Conselho Norueguês para os Refugiados (NRC), Oxfam, Médecins du Monde Belgium, Agronomes et Vétérinaires sans Frontières (AVSF), Educo, Islamix Relief, Care International e Acted.

Para além da crise económica e de segurança, o Mali está a atravessar um momento político muito delicado com um Governo de transição instalado após dois golpes de Estado, enquanto se aguarda a realização de eleições gerais que ainda não foram agendadas.

Lusa

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