O presidente francês, Emmanuel Macron, previu hoje que uma eventual violação da soberania do território autónomo dinamarquês Gronelândia por parte dos Estados Unidos da América (EUA) trará “consequências em cascata” imprevisíveis.
O chefe de estado francês falava em reunião do seu Conselho de Ministros sobre declarações recentes do homólogo norte-americano, Donald Trump, que tem expressado o desejo de anexar aquele arquipélago do oceano Atlântico norte.
“Não estamos a subestimar as declarações referentes à Gronelândia. Se a soberania de um país europeu e aliado fosse violada, as consequências em cascata não teriam precedentes. A França está a acompanhar a situação com a máxima atenção e agirá em total solidariedade com a Dinamarca e sua soberania”, disse.
Terça-feira, o ministro de Estado e Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel, advertiu a União Europeia (UE) que esquecer as regiões ultraperiféricas, como Madeira e Açores, “tem um preço no futuro”, atribuindo as tensões sobre a Gronelândia à “menor atenção” àquele território autónomo dinamarquês.
“A Gronelândia está fora da UE há bastante tempo, mas talvez tenha sido algum olvido e menor atenção que se deu a esse território que explique algumas das tensões a que assistimos hoje”, considerou Rangel.
Para o chefe da diplomacia portuguesa, a “não atenção às regiões ultraperiféricas tem um preço que se paga no futuro”.
A Gronelândia, território autónomo do Reino da Dinamarca, tem sido cobiçada pelo presidente dos EUA, que já declarou que iria tomar posse daquela região ártica, com uma localização estratégica e recursos minerais significativos, “de uma forma ou de outra”.
O primeiro-ministro da Gronelândia assegurou também terça-feira que o governo da região autónoma dinamarquesa optaria pela Dinamarca em vez dos EUA se tivesse de escolher, devido às pretensões de Trump.
“Estamos perante uma crise geopolítica e, se tivermos de escolher entre os Estados Unidos e a Dinamarca neste preciso momento, escolhemos a Dinamarca”, afirmou Jens-Frederik Nielsen, em Copenhaga.
Segundo Nielsen, “a Gronelândia não quer que ninguém a possua nem que ninguém a controle”.
Representantes gronelandeses e dinamarqueses reúnem-se hoje com responsáveis norte-americanos na Casa Branca, em Washington.