O Presidente egípcio admitiu que o preço do barril de petróleo pode atingir os 200 dólares se a guerra no Médio Oriente continuar, descrevendo o conflito como “a crise que mais afeta a região e o mundo”.
“Isso teria repercussões muito graves nos preços da energia, que podem ultrapassar os 200 dólares por barril (cerca de 174 euros ao câmbio atual), segundo observadores e analistas. (...) É algo que não considero exagerado”, afirmou Abdel Fattah al-Sisi na abertura de uma conferência EGYPES no Cairo sobre a transição energética.
Alertou que a continuação da guerra, iniciada a 28 de fevereiro com os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, “gerará uma crise de escassez [de abastecimento] sem precedentes”.
Frisou ainda que “as repercussões muito graves não se deveriam apenas ao encerramento do [estreito de] Ormuz, mas também aos ataques [iranianos] contra as instalações energéticas e as refinarias” nos países árabes como a Arábia Saudita, o Catar, os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait.
Face à atual situação, o chefe de Estado egípcio defendeu que ninguém além do Presidente norte-americano, Donald Trump, poderá acabar com a guerra.
“Em meu nome, em nome da humanidade e dos amantes da paz, por favor, ajude-nos a impedir esta guerra. O senhor é capaz de o fazer”, afirmou, dirigindo-se ao homólogo norte-americano.
Para o líder egípcio, esse conflito armado “representa dois desafios: a escassez de abastecimentos e o aumento dos preços”, algo que “os países ricos poderiam absorver, mas cujas repercussões seriam muito graves para as nações com economias em desenvolvimento ou frágeis”.
Al-Sisi, cujo país participa nos esforços para consolidar uma saída pacífica para o conflito, considerou que este é o que “mais afeta [as economias dos] países da região e do mundo nos últimos cinco anos”, depois da “pandemia, da guerra russa e da guerra de Gaza”.
O Egito figura entre os principais países que foram economicamente afetados pelo conflito bélico no Golfo e pela subida dos preços da energia. A libra egípcia caiu mais de 10% face ao dólar desde o início do conflito no Irão.
O primeiro-ministro egípcio, Mustafa Madbuli, afirmou no sábado que “o custo energético do Egito antes da guerra era de 1,2 mil milhões de dólares [mensais] (cerca de mil milhões de euros ao câmbio atual), um valor que aumentou para 2,5 mil milhões de dólares (cerca de 2,1 mil milhões de euros) em março devido ao conflito”, um custo que prevê que aumente “dependendo da subida dos preços” da energia.
A guerra no Médio Oriente teve início em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel realizaram ataques coordenados contra o território iraniano.
Em resposta, o Irão tem lançado mísseis e drones contra Israel e alvos estratégicos nos países vizinhos, além de manter o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do fornecimento mundial de petróleo.
Nas retaliações, o Irão lançou também ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque.