O Governo português avisou hoje a comunidade portuguesa nos Emirados Árabes Unidos que o aeroporto do Dubai vai realizar alguns voos a partir de hoje, destacando “um sinal de retoma de alguma normalidade”.
Numa mensagem publicada na rede social X, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) referiu que “depois da confirmação da saída de alguns voos da Etihad a partir de Abu Dhabi, a embaixada de Portugal nos Emirados Árabes Unidos recebeu indicação de que o aeroporto do Dubai irá realizar alguns voos a partir de hoje”.
Este desenvolvimento, acrescentou, “constitui um sinal de retoma de alguma normalidade, que deverá ainda demorar alguns dias”.
O MNE referiu ainda que a embaixada em Abu Dhabi “está em contacto permanente com as autoridades locais e com as companhias aéreas e continuará a transmitir atualizações sempre que estejam disponíveis”.
O ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irão interrompeu os voos em todo o Médio Oriente no sábado, e os principais aeroportos que ligam a Europa, África e o Ocidente à Ásia foram diretamente atingidos pelos ataques.
Centenas de milhares de viajantes ficaram retidos ou foram desviados para outros aeroportos depois de Israel, Qatar, Síria, Irão, Iraque, Kuwait e Bahrein fecharam o seu espaço aéreo, segundo informações de várias fontes recolhidas pela agência norte-americana Associated Press (AP).
Também não houve atividade de voos sobre os Emirados Árabes Unidos, informou o ‘site’ de rastreamento de voos FlightRadar24, após o governo local ter anunciado um “encerramento temporário e parcial” do espaço aéreo, encerrando aeroportos importantes no Dubai, Abu Dhabi e Doha, e obrigando ao cancelamento de mais de 1.800 voos pelas principais companhias aéreas do Médio Oriente.
Os aeroportos do Dubai e de Abu Dhabi relataram incidentes, e o governo local condenou o que chamou de “ataque flagrante envolvendo mísseis balísticos iranianos” no sábado.
Em declarações à Lusa, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel, afirmou no domingo que “o resultado com efeitos práticos mais importante foi a questão dos cidadãos europeus que estão neste momento retidos” nesses países, em particular nos Emirados, no Qatar, na Arábia Saudita, tal como Israel, que “também está nesta situação”, e no Irão.
No caso do Irão, “as pessoas que têm nacionalidade portuguesa, não chegam uma dezena e todas querem lá ficar, o que não quer dizer que se mudarem de ideias não se possa tentar encontrar uma solução alternativa”, disse.
O ministro sublinhou a questão “da necessidade de, eventualmente, repatriar os cidadãos europeus que estão no Golfo e, designadamente, aqueles que estão em trânsito”.
No entanto, “há pessoas que estão em férias, há pessoas que estão a trabalhar durante dois ou três dias em viagens de negócios, há as pessoas que estão simplesmente em trânsito e a usar o aeroporto de Dubai ou o aeroporto de Doha para ir e para vir e que ficaram retidas naquela região sem possibilidade de sair”, notou.
“Tem que se encontrar uma solução para que essas pessoas possam regressar aos seus países”, sublinhou, referindo que “se acordou que haveria, no fundo, uma espécie de coordenação europeia deste processo de repatriamento” e que Chipre, que detém neste semestre a presidência do Conselho da União Europeia “já está a coordenar esforços”.