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Iranianos continuam em protesto e voltam a encher ruas de Teerão

Data de publicação
09 Janeiro 2026
22:43

O Irão registou hoje à noite novas manifestações contra o regime, principalmente em Teerão, onde os iranianos marcharam pelas principais vias, segundo vídeos e imagens divulgadas nas redes sociais, apesar do bloqueio nacional da Internet.

Ao décimo terceiro dia de um movimento de protesto que ganha força apesar da repressão, os habitantes da capital batiam com panelas e entoavam palavras de ordem hostis ao Governo, incluindo “Morte a Khamenei”, em referência ao Líder Supremo do Irão.

Neste bairro de Sadatabad, no noroeste de Teerão, foram acompanhados pelas buzinas de automóveis, de acordo com o vídeo autenticado pela agência France-Presse (AFP).

Outras imagens publicadas nas redes sociais mostraram manifestações semelhantes noutros locais de Teerão.

Os canais de televisão em língua persa com sede no estrangeiro transmitiram vídeos de inúmeros manifestantes em Mashhad, no leste do Irão, em Tabriz, no norte, e na cidade sagrada de Qom.

“Há indícios credíveis de que a República Islâmica pode tentar transformar esta noite num massacre, sob o pretexto de um bloqueio total das comunicações”, alertou Shirin Ebadi, advogada iraniana exilada e Prémio Nobel da Paz de 2003.

A conectividade está “reduzida a 1% do seu nível normal”, frisou a organização não-governamental (ONG) de monitorização de cibersegurança Netblocks.

O bloqueio da Internet “não é um problema técnico no Irão, é uma tática”, afirmou Ebadi, dizendo ter sido informada de que centenas de pessoas foram levadas para um hospital de Teerão na quinta-feira com “graves ferimentos oculares” causados por tiros de balas de borracha.

Pelo menos 51 manifestantes, incluindo nove crianças, foram mortos e centenas ficaram feridos em todo o Irão desde o início dos protestos, em 28 de dezembro, segundo o mais recente balanço da ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega, hoje divulgados.

Na noite de quinta-feira, imagens verificadas pela AFP mostraram multidões de pessoas a pé em Teerão.

Na sexta-feira, a televisão iraniana mostrou a extensão dos danos, citando o presidente da Câmara de Teerão, que afirmou que mais de 42 autocarros, veículos públicos e ambulâncias foram incendiados, além de 10 edifícios governamentais.

Um procurador distrital na cidade de Esfarayen, no leste do Irão, juntamente com vários membros das forças de segurança, foram mortos na noite de quinta-feira durante os protestos, segundo fonte judicial.

O líder supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei, avisou hoje que o regime não vai recuar perante a onda de protestos que desafiam a República Islâmica, no poder desde 1979.

Dirigindo-se aos seus apoiantes que gritavam “Morte à América”, Ali Khamenei adotou um tom agressivo num discurso transmitido pela televisão estatal.

“A República Islâmica não recuará perante os sabotadores”, declarou, denunciando a destruição, no dia anterior, de um edifício em Teerão por “um bando de vândalos”.

A Guarda Revolucionária, o Exército ideológico do Irão, considerou a situação inaceitável, prometendo proteger a ‘revolução islâmica’.

Também o poder judicial alertou hoje que a punição para os “manifestantes violentos” será máxima.

Estes protestos são os maiores no Irão desde os que se seguiram à morte de Mahsa Amini, em 2022, presa por violar o rígido código de vestuário feminino.

As manifestações eclodem num momento de fragilidade do país após a guerra com Israel e os ataques a vários dos seus aliados regionais, enquanto a ONU restabeleceu, em setembro, as sanções relacionadas com o programa nuclear iraniano.

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