O Governo cessante húngaro, ainda liderado por Viktor Orbán, devolveu hoje à Ucrânia o ouro e dinheiro que as forças especiais húngaras apreenderam após intercetar um comboio de um banco público ucraniano que transportava dinheiro.
“Hoje, os fundos e ativos do Oschadbank que foram confiscados pelos serviços especiais em março deste ano foram devolvidos”, escreveu o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na sua conta na rede social X.
O líder ucraniano voltou a descrever como “ilegal” a operação húngara que levou à apreensão do dinheiro e do ouro.
Segundo Zelensky, o regresso é “um passo importante nas relações com a Hungria”.
A devolução do dinheiro, pela qual Zelensky disse estar “grato”, foi possível devido à “atitude construtiva” da Hungria, disse o Presidente ucraniano, referindo-se à vitória de Péter Magyar nas eleições legislativas húngaras, no mês passado.
A confiscação dos nove quilos de ouro, 40 milhões de dólares (cerca de 34 milhões de euros, ao câmbio atual) e 35 milhões de euros intercetados na altura pelas forças especiais húngaras foi mais um dos pontos de tensão entre Budapeste e Kiev no final da governação de Orbán, que concentrou grande parte da campanha eleitoral nas críticas à Ucrânia.
Nos últimos meses, os dois países trocaram críticas e acusações, que se agudizaram em janeiro com a interrupção do fornecimento à Hungria de petróleo russo através do oleoduto Druzhba, que atravessa a Ucrânia e que foi danificado devido a um ataque atribuído a Moscovo.
Orbán acusou Zelensky de atrasar propositadamente a reparação do oleoduto e vetou o empréstimo de 90 mil milhões de euros da União Europeia a Kiev aprovado em dezembro passado pelos 27.
Já após as eleições legislativas húngaras, realizadas em 12 de abril, o Governo húngaro retirou o veto ao empréstimo perante o compromisso ucraniano de que o Druzhba iria retomar o funcionamento, o que aconteceu a 22 de abri