A Copa do Brasil ganhou um novo formato em 2026 e o Flamengo tinha tudo para aproveitar bem a mudança. Os clubes da Série A entram apenas na quinta fase, o que significa menos desgaste nas fases iniciais e um caminho mais curto até às meias-finais. O Rubro-Negro começou a sua participação da melhor forma possível, e os sinais desta equipa orientada por Leonardo Jardim eram claramente positivos. O momentum, porém, não chegou para evitar uma eliminação surpreendente na noite de 14 de maio.
O arranque: vitória sobre o Vitória no Maracanã
Na noite de 22 de abril, o Flamengo recebeu o Vitória no Maracanã para o jogo de ida da quinta fase, diante de mais de 44 mil adeptos. O resultado foi uma vitória por 2-1, com golos de Evertton Araújo e Pedro, numa partida em que o Rubro-Negro foi superior durante boa parte do tempo e podia mesmo ter construído uma vantagem bem mais expressiva nas oportunidades que criou.
Além do resultado, foi a forma do Flamengo que se destacou: esta foi a sexta vitória consecutiva na temporada. Equipas que entram na Copa do Brasil com ritmo e confiança tendem a ser difíceis de travar, e a boa sequência rubro-negra também se reflectia nas casas de apostas em Portugal, onde o Flamengo era claro favorito para avançar. Tudo apontava para uma passagem tranquila às oitavas-de-final.
A queda no Barradão
O jogo de volta, disputado a 14 de maio no Barradão, em Salvador, desfez toda a confiança construída nas semanas anteriores. O Vitória abriu o marcador logo aos seis minutos com um golaço de Erick, que empatou o confronto no agregado e mudou completamente o plano de jogo do Rubro-Negro. A equipa de Jair Ventura fechou-se defensivamente e aproveitou os erros do adversário para sentenciar a eliminação: aos 16 minutos do segundo tempo, Luan Cândido aproveitou uma saída em falso do guarda-redes Rossi para fazer o 2-0. Resultado final: 2-0 para o Vitória, 3-2 no agregado a favor da equipa baiana.
O Flamengo teve mais posse, finalizou mais, mas parou numa noite inspirada de Lucas Arcanjo e na sua própria falta de eficácia. Uma eliminação que encerra também uma sequência de dez anos sem quedas precoces na Copa do Brasil: a última vez que o clube havia saído antes das oitavas de final tinha sido em 2016.
O formato e o que muda para os grandes clubes
A novidade mais marcante da Copa do Brasil 2026 é a final em jogo único, ao contrário do que acontecia nas edições anteriores, onde o título era disputado em duas mãos. As oitavas, quartas e meias-finais mantêm o modelo de ida e volta, mas a decisão do título concentra tudo numa só noite, o que aumenta o peso do contexto e da gestão emocional em cada fase anterior.
Para clubes como o Flamengo, que disputam em simultâneo o Brasileirão e a Copa Libertadores, este formato tinha uma vantagem clara: menos jogos obrigatórios nas fases mais avançadas da Copa do Brasil. A eliminação na quinta fase torna esse cálculo irrelevante, mas obriga o clube a redirecionar toda a atenção para as duas competições restantes.
O que fica e o que vem a seguir
O Flamengo tem cinco títulos da Copa do Brasil, empatado com o Grêmio e apenas atrás do Cruzeiro no histórico da competição. O sonho do hexacampeonato fica para outra edição. A forma apresentada no arranque da temporada, a experiência acumulada em competições sob pressão e a liderança técnica de Leonardo Jardim continuam a ser argumentos sólidos para o que resta do ano. O foco passa agora para o Brasileirão, onde o Rubro-Negro aparece como vice-líder, e para a Copa Libertadores, com o Estudiantes a aguardar no Maracanã na próxima quarta-feira.