O Governo dos Estados Unidos impôs hoje novas sanções económicas ao Irão, destinadas a enfraquecer o regime teocrático e reduzir as suas receitas petrolíferas, na véspera de negociações dos dois países em Genebra.
O serviço encarregado das sanções económicas no Departamento do Tesouro norte-americano acrescentou à sua lista negra quatro pessoas, todas de nacionalidade iraniana, bem como várias empresas e 12 navios petroleiros, indicou um porta-voz da diplomacia norte-americana em comunicado.
“Os Estados Unidos incluíram [na lista de alvos de sanções] pessoas e entidades envolvidas em múltiplas redes de aquisição de armas sediadas no Irão, na Turquia e nos Emirados Árabes Unidos, que apoiam o desenvolvimento de mísseis balísticos e armas convencionais avançadas do regime iraniano”, especificou o Departamento de Estado no comunicado.
“Estamos também a sancionar numerosas embarcações da frota paralela e os seus proprietários ou operadores, que coletivamente transportaram centenas de milhões de dólares em petróleo, produtos petrolíferos e produtos petroquímicos iranianos”, indicou o texto.
Esses petroleiros da “frota fantasma” são utilizados por Teerão para contornar o embargo norte-americano às suas exportações de crude e assim “financiar a repressão interna, os grupos terroristas que lhe estão ligados e os seus programas de armamento”.
Washington considera que “o regime iraniano continua a gerir mal a sua economia, com consequências catastróficas para o seu povo, e dá prioridade ao financiamento de grupos paramilitares estrangeiros e de mísseis em detrimento das necessidades básicas dos iranianos comuns”, pelo que “as sanções de hoje visam os fundos ilícitos que o regime utiliza para promover os seus objetivos maléficos e desestabilizadores”.
Na nota de imprensa, o Departamento de Estado adverte ainda de que “os Estados Unidos continuarão a recorrer a todos os meios disponíveis para expor, interromper e neutralizar a capacidade do regime iraniano de obter recursos para desenvolver os seus programas de armamento e financiar o seu comportamento desestabilizador”.
Estão agendadas para quinta-feira novas conversações na Suíça sobre o programa nuclear iraniano, o principal pomo de discórdia entre os dois países inimigos.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, acusou na terça-feira o Irão de ter “desenvolvido mísseis que podem ameaçar a Europa e as bases militares” norte-americanas e de tentar criar mísseis ainda mais potentes, com capacidade para “em breve atingir os Estados Unidos”.
“Eles estão, neste momento, a prosseguir as suas sinistras ambições nucleares”, declarou Trump, que tem tentado alcançar com Teerão um acordo que assegure, entre outras coisas, que a República Islâmica não se dotará de armas nucleares.
O Governo iraniano nega quaisquer objetivos militares do seu programa nuclear, mas insiste no direito à energia nuclear civil, ao abrigo do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP), de que é signatário.
Em caso de fracasso da diplomacia, os Estados Unidos ameaçaram atacar o Irão e já destacaram uma força militar maciça para a região do Golfo Pérsico.