O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, considerou hoje um “lamentável abuso de poder” que a polícia israelita tenha impedido o Patriarca Latino de Jerusalém de entrar no local sagrado para celebrar a missa do Domingo de Ramos.
Apesar de o Governo israelita ter explicado que a decisão foi tomada por motivos de segurança devido às restrições impostas pelo exército como medida de precaução face a possíveis ataques iranianos, o embaixador americano, citado pela agência de notícias espanhola Europa Press, afirmou-se perplexo perante o argumento, já que a missa seria celebrada com um número de participantes muito inferior às 50 pessoas que estipulam o atual limite máximo permitido para reuniões sociais.
Huckabee reconheceu a necessidade de estabelecer este tipo de regras, mas considerou que o que aconteceu “constitui um lamentável abuso de poder que já está a ter importantes repercussões a nível mundial”, tendo em conta a onda de críticas desencadeada pelo Governo italiano e que se estendeu a países como a França, Portugal, Polónia ou à Autoridade Palestiniana.
“É difícil compreender ou justificar que se impeça o patriarca de entrar na igreja no Domingo de Ramos para uma cerimónia privada”, atirou Huckabee.
Citado pela agência EFE, o presidente de Israel, Isaac Herzog, contactou o chefe da Igreja Católica na Terra Santa, Pierbattista Pizzaballa, para lhe transmitir o seu “profundo pesar”.
Em comunicado, Herzog reafirmou o “compromisso do Estado de Israel com a liberdade religiosa para todas as confissões”.
A contestação italiana foi liderada pela primeira-ministra do país, Giorgia Meloni, que manifestou a sua condenação inequívoca.
“Impedir a entrada do Patriarca de Jerusalém e do padre da Igreja do Santo Sepulcro constitui uma ofensa não só para os crentes, mas para toda a comunidade que reconhece a liberdade religiosa”, afirmou.
A primeira reação internacional fora da Itália veio do presidente francês Emmanuel Macron, que também se juntou à condenação de Roma.
A Jordânia também rejeitou o ocorrido que classificou como “uma violação flagrante do direito internacional, do direito internacional humanitário (...) e uma violação da liberdade de acesso irrestrito aos locais de culto”.
A polícia israelita impediu o Patriarca Latino de Jerusalém e o padre da Igreja do Santo Sepulcro de entrar no local sagrado para celebrar a missa do ‘Domingo de Ramos’, “pela primeira vez em séculos”, afirmou o Patriarcado Latino.
“Ambos foram detidos no caminho, enquanto se deslocavam a título privado [...] e foram obrigados a voltar para trás”, indica um comunicado conjunto do Patriarcado Latino de Jerusalém e da Custódia da Terra Santa, liderado por Pierbattista Pizzabala.
“Consequentemente, e pela primeira vez em séculos, os líderes da Igreja foram impedidos de celebrar a missa do ‘Domingo de Ramos’ na Igreja do Santo Sepulcro”, acrescenta o comunicado, numa altura em que Israel encerrou todos os locais sagrados da Cidade Velha de Jerusalém Oriental, invocando razões de segurança.
Para as autoridades religiosas, este impedimento “constitui um grave precedente” e “demonstra uma falta de consideração pela sensibilidade de milhares de milhões de pessoas em todo o mundo que, nesta semana, voltam o olhar para Jerusalém”.