O chefe da diplomacia francesa, Jean-Yves Le Drian, denunciou hoje as "medidas irresponsáveis" da junta, que classificou como "ilegítima", no poder em Bamako, enquanto a Dinamarca acaba de anunciar que vai retirar os militares que mantém no Mali.
"Esta junta é ilegítima e está a tomar medidas irresponsáveis ??(...). (A junta militar) tem total responsabilidade na retirada das forças dinamarquesas e isola-se ainda mais dos seus parceiros internacionais", disse Le Drian aos jornalistas em Paris, tendo ao seu lado o seu homólogo do Níger, Hassoumi Massoudou.
Jean-Yves Le Drian denunciou ainda a "obstrução" de que é alvo a missão da força da ONU (Minusma) no Mali e o "confisco inaceitável" do poder pelos militares malianos, que contrataram, acusou, mercenários do grupo privado russo Wagner para "proteger uma junta faminta de poder".
Perante esta "dupla rutura" política e militar, os parceiros regionais e internacionais do Mali terão de dar uma "resposta unânime, firme e determinada", defendeu Le Drian.
"Teremos que tirar conclusões dessa situação", reforçou, sem especificar que tipo de resposta considera.
"Hoje queremos continuar as discussões com todos os nossos parceiros, fazer essa pergunta em um quadro coletivo para manter nosso objetivo inicial que é fundamental, ou seja, combater o terrorismo, continuar determinados a nos comprometer com o Sahel nessa luta. ", ele insistiu.
"Hoje queremos continuar as discussões com todos os nossos parceiros, fazer essa pergunta num quadro coletivo para manter o nosso objetivo inicial que é fundamental, ou seja, combater o terrorismo, continuar determinados em nos comprometermos com o Sahel nessa luta", acrescentou.
O chefe da diplomacia do Níger, por sua vez, sublinhou a "total convergência de pontos de vista" entre Paris e Niamey sobre a situação no Sahel.
"Estamos determinados a continuar esta luta de forma transparente, em relações civilizadas com parceiros estatais, para combater e derrotar o terrorismo", disse Hassoumi Massoudou.
A Dinamarca decidiu repatriar uma centena de soldados destacados no Mali, no seguimento de um novo pedido da junta militar no poder, anunciou hoje chefe da diplomacia dinamarquesa, denunciando um "jogo político sujo" do regime de Bamako.
"Os generais no poder enviaram uma mensagem clara de que a Dinamarca não é bem-vinda no Mali. Não aceitamos isto e por esta razão decidimos trazer os nossos soldados para casa", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, Jeppe Kofod, no final de uma reunião no Parlamento dinamarquês em Copenhaga.
"Estamos lá a convite do Mali. Os generais golpistas - num jogo político sujo - retiraram o convite", porque "não querem um plano rápido de regresso à democracia", acrescentou Kofod.
A junta militar no poder no Mali desde o golpe de Estado de 2020 pediu à Dinamarca na passada segunda-feira à noite para retirar as suas tropas, chegadas ao país na semana anterior como parte do grupo das forças especiais europeias Takuba, com o argumento de o destacamento deste contingente particular tinha "ocorrido sem o consentimento" de Bamako.
A Dinamarca começou por responder que estava no país na sequência de um "convite claro" do regime do Mali e pediu a Bamako que "clarificasse" esta nova posição.
O governo de transição do Mali reiterou "insistentemente" esta exigência na passada quarta-feira à noite.
A ministra dinamarquesa da Defesa, Trine Bramsen, afirmou à comunicação social que o repatriamento dos soldados "levará algum tempo".
Se não for possível estabelecer um calendário preciso nesta fase, o exército dinamarquês acredita que serão necessárias "várias semanas" para trazer homens e equipamento de volta à Dinamarca, afirmou a governante numa declaração.
LUSA