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Ucrânia: Washington denuncia desinformação russa junto de 'media' ocidentais

JM-Madeira

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Data de publicação
20 Janeiro 2022
17:37

O Governo dos Estados Unidos da América (EUA) denunciou hoje a estratégia de disseminação de desinformação por parte da Rússia, sobre o conflito com a Ucrânia, para tentar influenciar os 'media' ocidentais.

O Departamento de Estado norte-americano acredita que a Rússia está a disseminar desinformação sobre a situação na Ucrânia, tentando criar junto dos ‘media’ ocidentais a ideia de que Kiev é o agressor e de que o Ocidente está a arrastar propositadamente os ucranianos para uma guerra.

Num relatório divulgado hoje, o Departamento de Estado apresenta vários exemplos do que considera ser a "ficção" apresentada pelo Kremlin (Presidência russa), contrastando com "factos" que desmentem as alegações russas sobre a explicação do conflito nas fronteiras ucranianas.

Os EUA, a NATO e a União Europeia (UE) têm denunciado a concentração de forças militares russas junto das fronteiras da Ucrânia, com vista a uma possível invasão.

Moscovo nega qualquer intenção bélica, acusa Kiev de estar a procurar pretextos para um conflito e atribui a Washington e a Bruxelas a intenção de uma escalada de tensão nas fronteiras ucranianas.

O Departamento de Estado norte-americano diz que uma das "ficções" promovida pelo Kremlin é a de que a Ucrânia é o agressor nas relações com Moscovo, contrapondo que foi a Rússia quem ocupou a península da Crimeia em 2014 e quem controla a região de Donbass (no leste do território ucraniano), tendo agora concentrado quase 100.000 soldados na zona de fronteira.

Outra das "ficções" russas desmontada por Washington é a de que o Ocidente está a empurrar a Ucrânia para um conflito, contrapondo que Kiev não reagiu militarmente à concentração de forças militares russas junto às suas fronteiras.

O Departamento de Estado norte-americano denuncia ainda como "ficção" o argumento de que esta concentração de forças militares russas nas fronteiras ucranianas é "um mero reposicionamento de soldados", dentro de território da Rússia.

No relatório hoje divulgado, Washington responde que não há nenhuma "razão plausível" para manobras militares desta dimensão naquela região, a não ser que Moscovo tenha a intenção de invadir o país vizinho.

O Departamento de Estado norte-americano denuncia também a "ficção" divulgada pelo Kremlin junto de vários meios de comunicação russos e ocidentais de que os EUA se preparavam para usar armas químicas na região de Donbass.

Washington responde a esta acusação lembrando que os EUA e a Rússia assinaram uma convenção de armas químicas que impede o uso deste género de armas, mas também recordando que foram as autoridades russas quem, num passado recente, usaram veneno para matar opositores, incluindo casos em território estrangeiro.

Outra "ficção" russa denunciada pelos EUA é a de que Moscovo está a defender a etnia russa na Ucrânia, com Washington a dizer que não há "provas credíveis" de que russos ou russófonos estejam a ser ameaçados pelo Governo ucraniano.

Pelo contrário, refuta o Departamento de Estado norte-americano, há relatos de ucranianos na Crimeia ocupada e no Donbass que estão a ser alvo de pressão sobre a sua cultura e hábitos, "num ambiente de repressão e medo".

O relatório denuncia ainda que Moscovo anda a disseminar desinformação sobre a NATO, alegando que a Aliança Atlântica está a cercar a Rússia com forças militares, numa ação deliberada para ameaçar o Estado russo.

Washington responde a esta "ficção" argumentando que a NATO é uma "aliança defensiva", cujo único propósito é proteger os seus Estados-membros, e lembra que a Aliança Atlântica não está a cercar a Rússia, já que este país faz fronteira com 14 países e apenas cinco são membros daquela organização.

A administração norte-americana também diz que não é verdadeira a alegação russa junto dos ‘media’ ocidentais de que a NATO prometeu não admitir novos membros, mas recorda que a inclusão de novos aliados nunca terá como objetivo criar pressão sobre Moscovo.

Lusa

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