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Capitólio: Grupos no Facebook divulgaram mais de 650.000 ataques às eleições

JM-Madeira

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Data de publicação
05 Janeiro 2022
18:04

Entre as eleições de 2020 nos EUA e o ataque ao Capitólio, em 06 janeiro de 2021, foram divulgadas mais de 650.000 mensagens no Facebook questionando a legitimidade da vitória de Joe Biden, revela um estudo.

Um relatório da agência de investigação jornalística ProPublica e do jornal The Washington Post, hoje divulgado, revela que milhares de grupos na rede social Facebook colocaram pelo menos 650.000 entradas com mensagens que atacavam a legitimidade da vitória presidencial do democrata Joe Biden, muitas delas pedindo execuções sumárias de políticos ou incentivando à violência.

De acordo com o The Washington Post, o estudo mostra que os apoiantes do ex-Presidente Donald Trump colaram uma média de pelo menos 10.000 mensagens diárias no Facebook, transformando os grupos radicais em "incubadoras para as reivindicações infundadas" de fraude eleitoral.

"Muitos ‘posts’ retrataram a eleição de Biden como o resultado de uma fraude generalizada que exigia uma ação extraordinária - incluindo o uso da força - para evitar que a nação caísse nas mãos de traidores", escreveu o jornal, referindo-se à relação entre o teor das mensagens nas redes sociais e a invasão do Capitólio, em 06 de janeiro.

"A guerra civil está a tornar-se inevitável!", podia ler-se numa das mensagens colocadas no Facebook um mês antes do ataque ao Capitólio, quando os apoiantes de Donald Trump estudavam formas de travar a validação dos votos do colégio eleitoral, que deram a vitória ao democrata Joe Biden.

Uma outra mensagem dizia "Bill Barr, vamos atrás de ti", manifestando a intenção de perseguir o procurador-geral, acusado de estar a ser conivente com os interesses políticos do Partido Democrata.

A empresa que gere o Facebook desvalorizou o papel das redes sociais na invasão do Capitólio, resistindo a apelos - alguns internos, vindos do Conselho de Supervisão - para uma investigação ao caso, mas acabou por suspender a conta de Donald Trump, poucas horas depois de o Twitter ter tomado essa decisão, logo a seguir ao ataque de 06 de janeiro de 2021.

Na investigação da ProPublica e do The Washington Post revela-se uma mensagem de Drew Pusareti, porta-voz da empresa que gere o Facebook, em que se pode ler que a plataforma não era responsável pela violência de 06 de janeiro, acusando Trump e vários dirigentes republicanos por terem difundido informações que desencadearam o ataque ao Capitólio.

Nos meses anteriores às eleições presidenciais norte-americanas, em outubro de 2020, o Facebook tinha eliminado vários grupos da sua rede social, acusados de estarem a disseminar informação falsa sobre o ato eleitoral, mas a ‘task force’ encarregada dessa tarefa foi desmantelada logo a seguir.

O relatório hoje tornado público mostra como muitos desses grupos voltaram a organizar-se no Facebook, sendo responsável por mais de 650.000 entradas com mensagens a apelar à violência, denunciando, sem apresentar factos, a falsidade dos resultados eleitorais.

A ProPublica e o The Washington Post analisaram as mensagens de mais de 100.000 grupos de Facebook, juntamente com dados compilados por uma empresa dedicada à análise de desinformação, a CounterAction, tendo acedido a cerca de 18 milhões de ‘posts’ naquela rede social.

O The Washington Post diz que o Facebook tem "um problema" com o desmantelamento deste tipo de organizações, citando antigos funcionários da empresa que gere a rede social, que dizem que aquele tipo de grupos são fundamentais para garantir que os utilizadores permanecem ligados e geram fluxo de conteúdos.

A investigação também concluiu que muitas das mensagens que foram difundidas pelos apoiantes de Donald Trump entram na categoria de "narrativas danosas não violadoras", o que significa que, na verdade, não violam as regras de funcionamento do Facebook.

O relatório denuncia, contudo, que essas "narrativas danosas" podem ter tido "impactos negativos substanciais que contribuíram para a invasão do Capitólio e que potencialmente podem ameaçar a coesão social no futuro".

Lusa

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