O mercado português de crédito à habitação apresenta “riscos de avaliação elevados e uma reduzida capacidade de pagamento por parte das famílias” devido ao aumento do preço das casas, indica uma análise da Morningstar DBRS hoje divulgada.
Para os analistas da agência de risco de crédito, o aumento acentuado dos preços das casas em Portugal reflete a escassez da oferta de habitação e uma procura resiliente, apoiada pela “introdução de iniciativas governamentais para os clientes mais jovens”, como a garantia pública na aquisição da primeira habitação.
A pedido dos bancos, a garantia pública vai ser reforçada pelo Governo em 750 milhões de euros, dos atuais 1.550 milhões para 2.300 milhões de euros.
Na análise, a Morningstar DBRS anuncia que vai continuar a acompanhar o mercado português de crédito à habitação para avaliar se as medidas de apoio, como a garantia pública, poderão traduzir-se “em alguma deterioração da qualidade dos ativos dos bancos ao longo do tempo”.
A agência ressalva, no entanto, que o sistema bancário português encontra-se “numa posição de força, tendo os bancos reforçado significativamente as suas posições de capital, melhorado as práticas de gestão de risco e reduzido a dependência do financiamento”.
Apesar do crescimento acentuado dos empréstimos à habitação desde 2024, os analistas Morningstar DBRS declaram não existirem sinais de uma bolha imobiliária impulsionada pelo crédito ou pela flexibilização dos critérios de concessão de crédito.