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Vereadores do Chega em São Vicente contestam retirada de pelouros e pedem renúncia do presidente

Data de publicação
14 Março 2026
14:50

Os dois vereadores do Chega na Câmara Municipal de São Vicente, Helena Freitas e Fábio Costa, contestaram a decisão do presidente da autarquia de lhes retirar os pelouros, afirmando que a medida resulta de divergências sobre o processo da empresa municipal Naturnorte e não de qualquer oposição à reabertura das Grutas de São Vicente.

Num comunicado divulgado este sábado, os eleitos afirmam que o esclarecimento se tornou necessário após a polémica gerada nos últimos dias, defendendo que os “vicentinos merecem saber a verdade por detrás de uma decisão impensada e irresponsável do presidente da Câmara”.

A reação surge depois de José Carlos Gonçalves, também eleito pelo Chega e presidente da autarquia, ter retirado os pelouros aos dois vereadores por terem votado contra uma proposta que visava iniciar o processo de reabertura das grutas do concelho.

Helena Freitas e Fábio Costa rejeitam essa versão, garantindo que nunca votariam contra a reabertura daquele que consideram ser um ativo essencial para o município. “Nunca faríamos tal distrate quando está aqui em causa o balão de oxigénio para São Vicente, pois como todos nós sabemos as grutas são um meio de rendimento elevado que a Câmara Municipal detém”, sublinham.

Segundo os eleitos, o voto contra incidiu sobre propostas apresentadas pelo presidente relacionadas com a empresa municipal Naturnorte – Gestão de Equipamentos Coletivos e Prestação de Serviços, responsável pela gestão das grutas. Entre os pontos em discussão estava a revogação de decisões anteriores relativas à dissolução da empresa e à integração dos seus trabalhadores no mapa de pessoal da autarquia.

Os vereadores argumentam que revogar essas deliberações poderia colocar em causa direitos laborais, uma vez que os contratos de trabalho existentes exigiriam o consentimento dos trabalhadores para a anulação da cessão da posição contratual do empregador.

No comunicado, os dois autarcas sustentam ainda que faltavam estudos técnicos e financeiros antes de qualquer decisão sobre o futuro da exploração das grutas. Referem, por exemplo, que deveria ter sido realizado “um estudo e análise técnica, de forma rigorosa, à instabilidade e estabilidade dos túneis lávicos para aferir o estado atual das suas condições de segurança”, algo que, segundo afirmam, não aconteceu.

Defendem igualmente que seria necessário avaliar a viabilidade económica da atividade da empresa municipal, sobretudo tendo em conta os resultados apresentados. De acordo com os vereadores, a Naturnorte registou em 2025 um prejuízo de 447.378,95 euros.

Os dois eleitos questionam também vários valores apresentados nas contas da empresa e afirmam que o presidente terá admitido a possibilidade de vender a Casa do Saramago por cerca de 800 mil euros para compensar o resultado negativo.

Outra das críticas incide sobre a proposta de gestão futura da empresa municipal. Segundo os vereadores, José Carlos Gonçalves pretendia que a Naturnorte fosse gerida por um único gestor. Questionado sobre quem ocuparia essa função, afirmam que o presidente apenas indicou tratar-se de “alguém da sua confiança” que faria a ligação com o Governo Regional.

Perante estas circunstâncias, Helena Freitas e Fábio Costa afirmam que alertaram o presidente para que não levasse a proposta à reunião de câmara, por considerarem que a mesma seria rejeitada. “Não compactuamos com esquemas de corrupção”, afirmam no comunicado.

Os dois vereadores relatam ainda um deteriorar das relações dentro do executivo municipal, acusando o presidente de desrespeitar os pelouros que lhes tinham sido atribuídos e de tomar decisões sem os informar.

No documento, afirmam também que lhes foi pedido que renunciassem ao mandato, proposta que recusaram. “Somos constantemente pressionados para renunciar ao cargo, algo que não vamos fazer”, asseguram.

Apesar da retirada dos pelouros, garantem que continuarão a exercer funções na autarquia e a fiscalizar a ação do executivo municipal. “Continuaremos o nosso trabalho como vereadores sem pelouro e sempre na defesa dos interesses do nosso concelho”, concluem, defendendo ainda que, perante o que classificam como falta de transparência na gestão do processo da Naturnorte, o presidente da câmara deveria renunciar ao cargo.

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