Durão Barroso, antigo primeiro-ministro de Portugal e ex-presidente da Comissão Europeia, defendeu hoje, à chegada ao Museu da Imprensa, em Câmara de Lobos, para participar nas “Conferências do Atlântico”, que “há razões para comemorar a autonomia”, pois não só “autonomia rima com democracia, como foi a autonomia que trouxe desenvolvimento económico e social à Madeira”.
“Estive agora a rever os números e são impressionantes. Como estava a Madeira e como está hoje. Em lembro-me de como estava a Madeira em 1976 e como está hoje. É completamente diferente. E isso deve-se, em larga medida à autonomia”, disse. Questionado se não seria mais por causa dos fundos europeus, Durão Barroso respondeu que “sem a autonomia não tinha havido os apoios tão fortes que Bruxelas deu”.
“A autonomia permitiu o estatuto especial de região ultraperiférica. Aliás, foi a minha comissão (mandato) que criou o estatuto reforçado às regiões ultraperiféricas”, permitindo considerar as “ultraperiféricas como um ativo geoestratégico da Europa”.
Relativamente às relações entre a Madeira e Lisboa, Durão Barroso não quis comentar a polémica sobre o debate das mudanças no subsídio de mobilidade, na Assembleia da República, mas observou que “sempre houve fricções entre o poder central e o poder regional”. Em seu entender, “é normal”.
Depois, colocando em perspetiva, disse que tem havido mais estabilidade na Madeira e nos Açores do que a nível nacional, o que desmente a ideia de que a autonomia traria mais instabilidade.
Relativamente a uma eventual independência da Madeira, Durão Barroso disse que não lhe parece fazer muito cabimento. “De qualquer das maneiras, já uma vez disse: Viva a Madeira livre. E hoje voltaria a dizer. Porque é na liberdade que os madeirenses se afirmam como portugueses e europeus”, referiu.