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Artigo de Opinião

18/02/2026 08:00

Se calhar, por estarmos na época do Carnaval e ninguém levar a mal, comecei a pensar como assenta que nem uma luva essa frase no caso do partido Chega. O Chega goza de uma imunidade impressionante. O que normalmente seria intolerável em qualquer outro partido, no caso do Chega e para os seus fervorosos apoiantes, nada parece abalar.

Imagine, por alguns momentos, as ações praticadas pelo partido Chega a serem praticadas por um outro partido qualquer do dito sistema. O que não seria se fossem relatados pelos próprios.

Senão vejamos: apesar do Chega não ter ainda praticamente nenhuma responsabilidade executiva, pois apenas conta com três Salazares, que é como quem quer dizer, três Câmaras Municipais, a verdade é que, dentro do seu raio de ação, saltam já à vista imensos casos e casinhos que fariam corar qualquer um, mas claro, não o Chega, que de facto goza de um estatuto especial.

Para o Chega, é possível ter na sua bancada parlamentar vários deputados com casos judiciais, desde dívidas, ameaças, difamação, incitamento ao ódio, agressão, violação, ocultação de informação, plágio e, imagine-se, violação das regras de imigração. É este estado de graça que tem atraído novos militantes para o Chega, oriundos dos vários quadrantes políticos, militantes estes que, de repente, se radicalizam, passando a criticar tudo e todos, para se ajustarem convenientemente ao pensamento ultraconservador do Chega.

A mim preocupa-me a forma como se manipula a informação para obter dividendos políticos, por exemplo nas redes sociais, para maximizar o impacto da mensagem e enviesar a opinião pública a seu favor. Nesse aspeto, claro que o Chega dá dez a zero a qualquer outro. Já por várias vezes foram apanhados a fazer manipulação de imagens e vídeos para que possam parecer aquilo que não são. Para dar uma ideia de que os imigrantes vêm para abusar do nosso sistema de saúde, não têm problemas em manipular uma imagem de uma sala de espera de um hospital para que parecesse estar cheia de imigrantes. Mas também o ridículo de acrescentar um filtro de chuva torrencial a um vídeo com Ventura a encher uma carrinha com bens para ajudar as famílias, para criar um impacto maior na sua ação.

É mesmo impressionante o ponto a que se chegou: não se olha a meios para transmitir a mensagem que se quer transmitir. Se sentem que há um ganho possível, então faz-se. É que é o Chega, ninguém leva a mal.

Com esta militância, imagine-se o que vai acontecer quando um dia tiverem mais poder nas mãos. Imagine-se, por um minuto, que passam a ser responsáveis pelo Governo e que a normalidade passa a ser este tipo de manipulação de conteúdos para apresentar uma imagem que não corresponde à realidade. Imagine o retrocesso civilizacional que isso corresponderá para a nossa sociedade.

Os sinais estão todos presentes: veem-se nas pequenas coisas, nas manipulações que são proporcionais à responsabilidade que têm. Vê-se também no modo de funcionar, de ataque constante, manifestando uma total intolerância para os outros, mas elevada permissividade para os seus. Vê-se na instabilidade que representam para o país.

Se hoje criticamos muita coisa, fazemos porque essa informação é pública e fazemos porque vivemos num país que, apesar de todos os seus defeitos, é livre. Não vivemos num país condicionado na sua opinião.

E, aproveitando para ligar os pontos, a manipulação de informação é, em si, uma forma de corrupção, pois distorce e mina a confiança nas instituições e manipula o comportamento político. Mas, como é o Chega, ninguém leva a mal.

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