Na sequência da notícia tornada pública, avançada em primeira mão pelo JM online, o SESARAM considerou necessário prestar esclarecimentos sobre a situação do trabalho de enfermagem no Serviço de Urgência adultos do Hospital Dr. Nélio Mendonça.
A instituição que gere o serviço de saúde da RAM reconhece o sentimento de desgaste manifestado pelos profissionais das urgências, sublinhando a importância da sua atuação numa área particularmente exigente e de resposta imediata.
Em comunicado, o SESARAM admite que a pressão assistencial constitui um desafio constante, sobretudo quando o fluxo de doentes é condicionado por fatores externos à gestão clínica imediata. Entre esses constrangimentos está o elevado número de chamadas ‘altas clínicas’, que corresponde atualmente a cerca de 230 utentes que, apesar de terem alta médica, aguardam resposta social ou vaga em unidades de retaguarda. Embora se trate de um número significativo, representa uma diminuição face a julho de 2025, quando se registavam 260 casos.
Ainda assim, este cenário continua a limitar a rotatividade das camas e a gestão dos internamentos, levando a que alguns doentes permaneçam no Serviço de Urgência à espera de transferência para enfermaria.
Apesar destas dificuldades, o SESARAM destaca que o Serviço de Urgência nunca teve um número tão elevado de profissionais como atualmente, contando com 115 enfermeiros no seu efetivo. Paralelamente, a instituição tem recorrido ao trabalho suplementar e ao reforço temporário de oito profissionais provenientes de outros serviços, especificamente para apoiar esta área.
Relativamente às declarações de escusa de responsabilidade tornadas públicas, o SESARAM esclarece que foram subscritas por cerca de 70 enfermeiros, o que corresponde a aproximadamente 60% do efetivo total do serviço.
A administração frisa que se trata de um procedimento de natureza profissional e deontológica, dirigido à instituição e à Ordem dos Enfermeiros, não configurando, em circunstância alguma, uma escusa de responsabilidade civil na prestação de cuidados aos doentes.
O SESARAM conclui reafirmando que o bem-estar e as condições de trabalho dos seus profissionais continuam a ser uma das principais prioridades da instituição.