O Partido Reagir, Incluir, Reciclar (RIR) manifestou, em comunicado emitido na sexta-feira, a sua preocupação com a permanência de cerca de 250 pessoas em situação de alta problemática nos hospitais da Região Autónoma da Madeira, uma realidade noticiada recentemente.
No documento, o partido sublinha que “esta realidade não é nova — é repetidamente reconhecida pelo próprio SESARAM — e demonstra que estamos perante um problema estrutural e crónico, não um episódio pontual”.
O RIR recorda que tem alertado ao longo dos últimos anos para a necessidade de uma resposta integrada entre a saúde e a ação social, considerando que a permanência indevida de doentes nos hospitais tem consequências diretas no funcionamento do sistema. Segundo o comunicado, esta situação “bloqueia camas hospitalares essenciais, agrava a pressão sobre o Serviço de Urgência, atrasa cirurgias e internamentos programados e, acima de tudo, retira dignidade aos próprios utentes, transformados em ‘casos sociais’ dentro de enfermarias e ao longo de corredores que não são o seu lugar”.
O partido considera ainda “inaceitável que, em 2026, centenas de pessoas continuem hospitalizadas não por razões clínicas, mas por falhas do sistema social, enquanto o discurso oficial insiste em soluções temporárias, paliativas ou meramente administrativas”.
No comunicado assinado por Liana Reis, coordenadora regional do partido, o RIR reafirma posições que diz defender de forma consistente, nomeadamente que “a saúde não se resolve apenas dentro dos hospitais”, que “as altas problemáticas são um espelho da insuficiência das políticas sociais” e que “o custo humano e financeiro desta inação é pago por todos: pelos doentes, pelos profissionais de saúde e pela população que vê o SNS regional cada vez mais pressionado”.
Entre as medidas apontadas como necessárias, o partido defende o “reforço urgente da rede de apoio domiciliário”, a “criação e disponibilização efetiva de respostas comunitárias, com um aumentoreal do número de vagas para cuidados continuados em todas as ERPI e IPSS”, bem como uma “articulação real entre SESARAM, Segurança Social e autarquias” e um planeamento estratégico que “coloque a dignidade das pessoas no centro das decisões, e não apenas a gestão de números”.
O comunicado termina com a convicção de que “um sistema que aceita como ‘normal’ a permanência prolongada de centenas de pessoas com alta clínica em hospitais está a falhar — socialmente, politicamente e humanamente”, defendendo que “a Região precisa de coragem política para romper com este ciclo”.