O PS Madeira condenou, este domingo, a postura do Governo Regional face ao risco de incêndios. Os socialistas argumentam que o Executivo “não está a fazer a devida aposta na prevenção e na limpeza de espaços florestais”.
Esta manhã, o grupo parlamentar do PS steve nas serras de Santo António, onde dizem ter testemunhado “duas situações preocupantes”: “por um lado, tanques que poderiam ser usados para o combate às chamas, mas que não estão a ser alvo de manutenção, e por outro, a proliferação de mato e espécies invasoras”.
Célia Pessegueiro, líder do partido, apontou como exemplo o Poço do Lombo, na zona da Estrela, que “tem todas as condições para abastecimento do meio aéreo para o combate aos incêndios”, mas que “não é usado por falta de limpeza”. “Já há dois anos, isso foi motivo de crítica, porque o abastecimento para o combate a incêndios no Curral das Freiras foi feito em São Roque, gastando 12 minutos de percurso, quando o helicóptero podia abastecer neste reservatório, gastando metade do tempo”, referiu.
Em iguais circunstâncias garante estar o Poço Novo, na mesma freguesia. “Não se percebe o porquê de estar a fazer mais um reservatório, quando existem aqui dois nas proximidades que, fazendo a limpeza das árvores à volta, têm todas as condições. Não se entende que, tendo já estes dois reservatórios aqui, não se aposte na sua manutenção para o uso pelo meio aéreo”, expressou.
Célia Pessegueiro deu também conta da existência de zonas de mato intenso, alertando para a iminência de se repetirem grandes incêndios no Funchal, “se não houver uma intervenção a sério nas faixas corta-fogo”.
“Bastam alguns dias de seca e algum vento para que facilmente a matéria combustível arda”, disse a líder socialista, acusando o Governo Regional de “não fazer a devida limpeza e manutenção das zonas corta-fogo” e acusando o PSD de “não mostrar essa realidade nas visitas que efetua ao terreno com comunicação social”.
A presidente do PS-M entende que a limpeza e manutenção destes espaços “deve ser feita de forma continuada, com recurso ao pastoreio dirigido”. Como expôs na ocasiãão, “o Executivo deveria avançar com parcerias com os pastores neste sentido, sendo que isso representaria mais uma fonte de rendimento para os mesmos, ao mesmo tempo que as autoridades contariam com a ajuda de quem melhor conhece as serras”.
“Estes profissionais que estão aqui todos os dias no terreno, que conhecem bem estas zonas, poderiam ser agentes de proteção civil indicados para fazer este trabalho de prevenção”, rematou Célia Pessegueiro, frisando que este trabalho seria, na sua ótica, “uma forma de garantir que trilhos e zonas corta-fogo devidamente identificados eram alvo de intervenção contínua, em vez de se estar de dois em dois anos a gastar uma pequena fortuna em meios humanos e maquinaria para limpeza”.