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Perito entende que queda da árvore do Monte não pode ser imputada aos arguidos

JM-Madeira

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Data de publicação
08 Novembro 2023
11:55

Decorre, esta manhã, o julgamento dos dois arguidos no processo da queda de uma árvore no Monte, durante a festa do Monte, em agosto de 2017, que provocou a morte de 13 pessoas e dezenas de feridos.

Estão arroladas para o dia de hoje cinco testemunhas, com o perito contratado pela autarquia, Pedro Ginja a ter continuado a prestar esclarecimentos ao coletivo sobre o relatorio que efetuou. Na sessão anterior do julgamento, esta testemunha já tinha sido ouvida.
Recorde-se que, no banco dos réus do tribunal de Instância Central da Comarca da Madeira, estão a ex-vice-presidente da Câmara do Funchal, Idalina Perestrelo, e o responsável pelos jardins do município, Francisco Andrade, acusados pela prática, em autoria material, de 13 crimes de homicídio negligente e 24 crimes de ofensa à integridade física por negligência.
O perito assegurou que a árvore do Monte que a raíz estava saudável, nao tendo sido encontrada uma razão no estado da árvore para ter caído.
Questionado pelo advogado de uma das vítimas sobre se Pedro Ginja solicitou algum levantamento geológico dos terrenos, o especialista disse que não foi encontrada nenhuma lesão mecânica ou lesão do solo que tivesse fragilizado a árvore, muito pelo contrário, a raiz estava 100% sã.
Sobre se não seria importante conhecer profundamente o estado do solo onde se encontrava a árvore , Pedro Ginja respondeu negativamente, mas salientou que esse tipo de análises são frequentes em caso de obras. "No caso concreto, nunca vi fazer análises a solos para saber da sustentação de árvores".
"Não encontramos nenhuma lesão que justificasse a queda daquela árvore, mas a árvore caiu", daí a peritagem ter analisado a sustentação de muros e solo.
Foram efetuados cinco relatórios de especialidade, na segunda peritagem.
O da responsabilidade de Pedro Ginja visou, entre outros aspectos, sobre a queda de outras árvores no Monte. Foram encontrados alguns casos, como um carvalho, na encosta sul do Monte, ou de um castanheiro no século XIX. "Não há muita informação sobre queda de arvores naquela zona".
Mas, no caso da arvore do Largo da Fonte, "eu estudei-a até à exaustão."
"Reafirmo que a árvore não tem nenhuma lesão mecânica que justifique a queda da árvore", frisou Pedro Ginja, criticando "disparates" sobre fungos e artigos que leu sobre o assunto.
A Juíza presidente do coletivo questionou sobre se o fogo de artificio, música e martelo pneumático de uma obra próxima poderão ter tido influência. Pedro Ginja disse que fez referência a esses aspetos na perícia por causa da vibração.
Inquirido sobre se essa situação pode ser imputada aos arguidos, Pedro ginja respondeu "penso que não".
Entende ainda que não é necessário suspender o fogo de artificio na festa do Monte, como tem acontecido desde 2017, porque esse factor não terá tido influência.
A seu ver, podem ser lançados fogos de artifício desde que em espaço aberto, como aliás, recomendou à autarquia.
"O que aconteceu ali foi um grande azar, foi um. conjunto de fatores que levaram ao desfecho que ali tivemos, afirmou o perito, respondendo ao coletivo que não se conseguiria prever a cedência de terras".
O julgamento fez um breve intervalo. Rocha da silva, testemunha no processo, nao será ouvido hoje, tendo justificado a sua ausência por se encontrar doente.

Paula Abreu

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