A 6.ª edição do Parlamento na Comunidade, iniciativa do JM e ALRAM, está hoje na Ponta do Sol, no Centro Cultural John dos Passos.
A primeira intervenção, conforme estipulado, é da responsabilidade da presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira, Rubina Leal a focar o seu discurso na construção europeia, sem esquecer momentos históricos que marcaram de forma indelével este concelho.
Na sua intervenção, afirmou que o concelho representa “mais do que uma geografia”, assumindo-se como um símbolo da capacidade de superação, identidade e afirmação coletiva do povo madeirense.
A presidente da ALRAM elencou o significado especial da realização da sessão neste concelho, considerando que “há lugares que são geografias e há lugares que são mais do que isso, são símbolos”.
“A Ponta do Sol pertence a essa segunda categoria”, declarou, descrevendo o concelho como uma “terra de luz, de resiliência e de encontro entre o mar e a montanha”, que ao longo da História soube transformar “dificuldades em capacidade de superação, isolamento em abertura ao mundo e identidade em afirmação coletiva”. Nesse âmbito, evocou igualmente a ligação do escritor John Dos Passos à terra das suas origens familiares, lembrando que o autor “nunca escondeu, ao longo da sua carreira literária, a ligação das suas raízes à Madeira e à Ponta do Sol”.
Frisou, ademais, a importância histórica da Revolta das Águas, considerando-a “um dos maiores levantamentos populares contra a ditadura”, símbolo do “sentido de comunidade, persistência e justiça das gentes da Ponta do Sol”.
Mais centrada no plano político e autonómico, a presidente enfatizou que a Autonomia “não foi um favor concedido, mas uma conquista política e democrática”, frisando que a Madeira “não é uma periferia política da República”, mas sim “uma parte integrante e estratégica de Portugal”.
A presidente da ALRAM alertou ainda para a necessidade de a Região e as Regiões Ultraperiféricas fazerem valer a sua voz junto das instâncias europeias, numa altura em que se assinalam os 40 anos da adesão de Portugal à então Comunidade Europeia.
“A Madeira acrescenta ao País no mar, na diáspora, na dimensão atlântica, na diversidade da sua identidade coletiva e na projeção internacional”, afirmou.
Já na reta final da intervenção, deixou uma mensagem dirigida aos mais jovens presentes na sessão, defendendo que são eles “a prova de que a Autonomia tem futuro” e apelando à preservação e valorização daquele que classificou como “o nosso bem maior”.
“A democracia vive no diálogo permanente entre cidadãos e instituições, na capacidade de escutar, na coragem de representar e na responsabilidade de decidir pensando no bem comum”, conforme sustentou Rubina Leal.