O deputado do PSD na Assembleia Legislativa da Madeira e antigo presidente da Câmara Municipal da Calheta, Carlos Teles, criticou hoje o silêncio do PSD na Assembleia da República sobre a mobilidade aérea da Região, defendendo que os madeirenses devem manter-se unidos na defesa dos seus direitos.
Intervindo a partir da plateia na quarta sessão do Parlamento na Comunidade, que decorreu no auditório do MUDAS.Museu de Arte Contemporânea da Madeira, Carlos Teles afirmou que a Autonomia representa “uma verdadeira revolução”, permitindo à Região afirmar-se perante o poder central.
O deputado sublinhou, contudo, que o relacionamento com o Estado continua a ser exigente, referindo que “quem é ilhéu sabe o que é ter um poder central cada vez mais centralista”, acrescentando que algumas intervenções recentes a nível nacional o deixam preocupado.
Apesar de pertencer ao PSD, Carlos Teles assumiu críticas à atuação recente do partido a nível nacional, referindo-se à posição sobre a mobilidade aérea. O deputado disse saber que o líder parlamentar social-democrata, Hugo Soares, esteve recentemente na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), onde evitou falar sobre a Madeira e sobre a mobilidade, assunto que faz a manchete na edição desta sexta-feira do JM.
Segundo afirmou, deveria ter sido abordado “um direito que temos e que advém da continuidade territorial”, defendendo que estas matérias não podem ser ignoradas.
“Nestas alturas os madeirenses têm de estar unidos para fazer prevalecer os nossos direitos, que não são favores nem subsídios, são direitos”, afirmou.
Carlos Teles destacou ainda a importância do regime autonómico, considerando que foi graças à Autonomia que a Madeira conseguiu afirmar-se politicamente e “bater o pé ao poder central”.
Nesse contexto, destacou o papel de todos os representantes eleitos pela Calheta na Assembleia Legislativa da Madeira desde 1974, independentemente da sua filiação partidária, defendendo que a ação política deve ter como objetivo contribuir para o desenvolvimento da Região e do concelho.
Referindo-se à Calheta, o deputado afirmou que o concelho passou de uma zona esquecida para uma nova centralidade regional, recordando que no passado os circuitos turísticos passavam ao largo do município.
Segundo recordou, durante muitos anos os autocarros de turismo paravam na Ribeira Brava e seguiam diretamente para o norte da ilha, sem passar pela Calheta, realidade que considera hoje ultrapassada.
Carlos Teles concluiu afirmando que continuará a defender o concelho “esteja onde estiver”, sublinhando a ligação pessoal e política que mantém à Calheta.