O Juntos Pelo Povo (JPP) considera “inadmissível” que a secretaria regional de Inclusão, Trabalho e Juventude “mantenha no segredo dos Deuses” o estudo de caracterização da pobreza na Região Autónoma da Madeira, já concluído e entregue em novembro do ano passado naquele departamento governamental.
A investigação foi realizada com a comparticipação de 130 mil euros de fundos europeus, no âmbito da Rede Europeia Anti-Pobreza, através do Núcleo Regional da Madeira, tendo concluído o trabalho dentro dos prazos previstos e procedido à entrega do relatório final à secretária regional de Inclusão Trabalho e Juventude, Ana Sousa.
De acordo com a informação publicada hoje no JM, o Governo Regional não pretende divulgar já o relatório, recebido em novembro, e aponta a sua apresentação pública para o final do primeiro trimestre.
“Não faz sentido nenhum”, adverte a presidente do JPP, Lina Pereira. “Um estudo é feito com metodologia, apresentação, caracterização e conclusão, não precisa de quatro meses para o analisar, portanto, ninguém compreende este bloqueio, a menos que a senhora Secretária queira esconder resultados que porventura confirmem o fracasso das políticas dos governos PSD que têm conduzido a um aumento da pobreza, desde que Miguel Albuquerque chegou ao Governo.”
A dirigente do JPP que mais intervém publicamente nas áreas sociais, diz que o partido, mais uma vez, vai recorrer aos “papelinhos” para ultrapassar o bloqueio imposto pela secretaria de Inclusão, e anuncia que já esta sexta-feira saiu do partido um requerimento a solicitar cópia do relatório final, ao abrigo do direito de acesso a documentos administrativos relacionados com a gestão pública.
“Um estudo realizado com dinheiros públicos não é propriedade do Governo, é uma obrigação de quem governa dar a conhecer os resultados desse trabalho à população, aos deputados, às organizações”, frisa Lina Pereira. “Anunciar que só o fará depois das eleições de 23 de março, parece uma estratégia para esconder eventuais responsabilidades deste Governo.” Nesse sentido, a presidente do JPP desafia o gabinete de Ana Sousa “a dar um sinal de transparência e coragem política”, tornando público o estudo antes das eleições de 23 de março.