Os Jovens do Bloco de Esquerda Madeira condenaram as declarações recentes do presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, sobre a possibilidade de despejo de inquilinos logo após o incumprimento do pagamento da renda.
Em comunicado, a estrutura juvenil do partido classificou as afirmações como “desumanas, perigosas” e reveladoras de um “total afastamento da realidade social” vivida por milhares de madeirenses e porto-santenses.
Segundo os Jovens do Bloco, as declarações do chefe do executivo regional representam mais do que “uma frase infeliz”, assumindo antes “uma posição política que normaliza os despejos como resposta à crise da habitação”. A organização considera impossível resolver os problemas do setor através do agravamento de uma das suas consequências mais graves.
No comunicado, os bloquistas sublinham que o incumprimento no pagamento das rendas resulta, muitas vezes, de dificuldades económicas imprevistas e não de falta de vontade dos arrendatários. Entre os fatores apontados estão o aumento do custo de vida, despesas inesperadas com saúde ou educação, salários insuficientes e atrasos no pagamento de vencimentos por parte de entidades patronais.
A estrutura jovem do partido alerta ainda para a situação de insegurança habitacional vivida por muitos jovens trabalhadores, estudantes e casais na Região Autónoma da Madeira. O documento refere que o mercado imobiliário se tornou “incomportável para a maioria da população”, apontando como causas a especulação imobiliária, o crescimento do alojamento local, a pressão de fundos imobiliários e a compra de habitação por estrangeiros não residentes.
Os Jovens do Bloco acusam Miguel Albuquerque de governar “para os interesses de quem lucra com a crise da habitação” em vez de proteger as famílias afetadas pela subida dos preços.
Como alternativas, defendem a fixação de limites máximos para as rendas, o reforço da habitação pública, maiores apoios ao arrendamento e restrições ao alojamento local e à aquisição de imóveis por não residentes. Criticam ainda o executivo regional por continuar a investir “em projetos megalómanos” em vez de canalizar recursos para políticas de habitação.
O comunicado é assinado por Francisco Pinto, coordenador dos Jovens do Bloco de Esquerda Madeira, que reafirma o compromisso da organização com a defesa do direito à habitação.