O histórico militante socialista João Soares afirmou este sábado, no Funchal, que o contexto internacional atual é “profundamente complicado” e motivo de grande preocupação, defendendo simultaneamente a necessidade de enfrentar desigualdades sociais na Madeira, apesar dos indicadores económicos positivos da região.
As declarações foram feitas no âmbito da conferência ‘Conversas de Abril: 50 anos de autonomia’, onde o antigo autarca de Lisboa disse nunca ter estado “tão triste e tão preocupado com o que se está a passar no plano internacional”, apontando para conflitos em curso e para a atuação de várias lideranças mundiais.
Sem poupar críticas, João Soares referiu-se à guerra na Ucrânia, responsabilizando a Rússia pela invasão, e classificou como “inaceitáveis” ações recentes no Médio Oriente. Sobre os Estados Unidos, deixou também duras palavras quanto à liderança atual, considerando a situação “constrangedora”.
Ainda assim, sublinhou que existem sinais positivos no cenário global, destacando avanços diplomáticos e desenvolvimentos científicos recentes, que considera demonstrarem o potencial para um mundo mais equilibrado.
No plano regional, o socialista destacou que a Madeira apresenta um dos PIB per capita mais elevados do país, mas alertou para a persistência de “manchas de pobreza muito sérias”, defendendo uma melhor distribuição da riqueza e maior eficácia na resposta a problemas sociais como a exclusão e a toxicodependência.
João Soares considerou que, 50 anos após a autonomia, continuam a existir desafios ao nível da centralização, apontando que tanto no continente como nas regiões autónomas persiste a perceção de concentração excessiva de poder. Ainda assim, reconheceu que a autonomia representou uma evolução positiva para o arquipélago.
O antigo autarca sublinhou também a importância de uma utilização eficaz dos fundos europeus, em particular do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), alertando para a necessidade de garantir que os recursos disponíveis são aplicados com proximidade e impacto real nas populações.
Por outro lado, criticou o que considera ser um excesso de condicionamentos legais e receios políticos na tomada de decisão, apontando que o medo de acusações de corrupção ou favorecimento tem limitado a capacidade de intervenção dos responsáveis públicos.
No encerramento, destacou a posição geoestratégica de Portugal e das regiões autónomas, nomeadamente da Madeira, como uma vantagem no contexto internacional, sublinhando a proximidade simultânea à Europa, África e ao espaço atlântico.
A conferência integra as comemorações dos 50 anos da autonomia da Madeira e reuniu dirigentes e militantes socialistas na capital madeirense.