Mais de 350 guias e dirigentes de todo o país participam este fim de semana no 58.º Conselho Nacional da Associação Guias de Portugal (AGP), encontro que coincide com as comemorações dos 95 anos da organização e recorda o papel decisivo da Madeira na continuidade do movimento durante o Estado Novo.
A sessão de abertura decorreu na manhã deste sábado, no auditório do Colégio de Santa Teresinha, e contou com a presença da secretária regional de Inclusão, Trabalho e Juventude, Paula Margarido, em representação do presidente do Governo Regional. Estiveram também presentes o diretor regional de Juventude, André Alves, e o presidente do Instituto das Florestas e Conservação da Natureza, Manuel Filipe.
A edição deste ano assume um significado particular ao assinalar os 95 anos da Associação Guias de Portugal, cuja continuidade foi possível graças à resistência demonstrada pela Madeira num período em que o movimento esteve suspenso no restante território nacional.
Entre 1937 e 1954, com a criação da Mocidade Portuguesa e a consequente suspensão das atividades associativas juvenis em todo o país, “a Delegação Regional da Associação tornou-se a única região a permanecer no ativo, mantendo viva a estrutura regional enquanto o movimento era forçado a interromper a sua atividade no continente”, explicou Teresa Crespo, presidente da Comissão Executiva da AGP.
Segundo a responsável, foi este contributo da Madeira que permitiu preservar o movimento e garantir que a associação possa hoje celebrar 95 anos de existência. Teresa Crespo destacou ainda o papel de Carolina Rocha Machado, responsável regional que considerou ter sido “determinante na manutenção da Companhia e na salvaguarda dos princípios do Guidismo, resistindo firmemente às pressões políticas da época”.
A ligação à comunidade britânica residente na ilha, tradicionalmente próxima dos movimentos escutista e guidista, terá igualmente contribuído para reforçar a continuidade da associação durante esse período.
Nesse sentido, Teresa Crespo sublinhou que o regresso do Conselho Nacional à Madeira representa também um momento simbólico de reconhecimento, permitindo “homenagear o lugar onde tudo resistiu quando o resto do país foi silenciado”.
Atualmente, a Associação Guias de Portugal reúne cerca de cinco mil jovens mulheres e dirigentes, distribuídas por todo o país e regiões autónomas, sendo a associação juvenil feminina com maior representação nacional. Enquanto membro da World Association of Girl Guides and Girl Scouts, integra uma rede internacional que reúne mais de 10 milhões de jovens em cerca de 150 países.
Paula Margarida garante que juventude está no centro das políticas regionais
A representar Miguel Albuquerque “num momento tão marcante para o movimento guidista”, a secretária regional destacou o compromisso da Região com a juventude e com o associativismo, referindo que “o Governo Regional reconhece a importância destas associações no percurso educativo e pessoal de tantos jovens”.
“É essencial acompanhar de perto as suas necessidades, objetivos e desafios, assegurando os meios e a estabilidade que lhes permitam continuar a crescer e a desenvolver o seu trabalho”, afirmou.
Paula Margarido recordou também que, em 2026, o Governo Regional reforçou, através da Direção Regional de Juventude, os apoios financeiros destinados ao associativismo jovem, garantindo condições para manter estes movimentos “dinâmicos, capacitados e preparados para continuar o seu valioso trabalho”.
A governante concluiu reiterando o compromisso do executivo regional com o futuro da juventude madeirense e com os movimentos que contribuem para a sua formação. “Que este Conselho Nacional fortaleça ainda mais o vosso caminho e continue a inspirar jovens mulheres a fazer a diferença nas suas comunidades, na nossa Região e no mundo. A Madeira sente-se honrada por vos acolher”, afirmou.
A sessão decorreu perante um auditório lotado no Colégio de Santa Teresinha, que acolheu mais de 350 guias neste encontro nacional, integrado num fim de semana que engloba diversas atividades.