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Estudo: Mais de 64% dos jovens madeirenses viveram atos de violência no namoro

Data de publicação
14 Fevereiro 2025
11:18

64,6% dos jovens madeirenses que participaram no Estudo Nacional da Violência no Namoro 2025, admitiram já ter experienciado pelo menos um dos indicadores de vitimação. O inquérito, que abrangeu 491 jovens da Região entre os 12 e os 18 anos, revela ainda que 66,6% dos inquiridos legitimam pelo menos comportamento violento em relações amorosas. Apesar da ligeira diminuição dos números face ao ano anterior, a União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) alerta que os resultados continuam a ser “extremamente preocupantes” e reforça a necessidade de investir na prevenção primária.

Os dados, divulgados hoje pela UMAR Madeira no âmbito do projeto ‘ART’THEMIS+’, indicam que o controlo (50%) é a forma de violência mais prevalente no que toca à vitimação, com situações como “proibir de estar ou falar com amigos ou colega” e “pegar no telemóvel ou redes sociais sem autorização” a serem as mais relatadas. Segue-se a violência psicológica (38,4%), com insultos durante discussões entre os casos mais recorrentes. Outros tipos de vitimação incluem perseguição (21,5%), violência através das redes sociais (19,9%), violência sexual (14,02%) e violência física (12,6%).

A análise também mostra que 54,7% das raparigas, 42,5% dos rapazes e 66,7% das pessoas que se identificam com outros géneros relataram ter experienciado pelo menos um dos indicadores de controlo. A vitimação é, em geral, mais comum entre jovens do género feminino e de identidades não normativas.

Já no que toca à legitimação, do total dos jovens madeirenses participantes, 66,6% não considera violência no namoro, pelo menos, 1 dos 15 comportamentos questionados, destacando-se novamente o indicador do controlo (57,4%), nomeadamente através de “pegar no telemóvel ou entrar nas redes sociais sem autorização”, “proibir de vestir uma peça de roupa”, “proibir de estar ou falar com pessoa amiga ou colega”, e “proibir de sair sem namorado/a”. Depois do controlo, o segundo indicador com mais percentagem é a violência psicológica (31,6%), seguindo-se a violência sexual (29,9%), perseguição (28,7%), violência através das redes sociais (17,9%) e violência física (7,9%).

No que se refere à legitimação de comportamentos de violência no namoro, os rapazes são os que mais legitimizam este tipo de atos.

Aposta na prevenção primária

Comparativamente a 2024, registou-se uma redução de 1,4% nos casos de vitimação e de 5,9% na legitimação de comportamentos violentos, mas Joana Martins, coordenadora do núcleo da UMAR Madeira, realça o facto de os resultados continuarem a ser “extremamente preocupantes”, alertando para a necessidade de aposta de uma prevenção primária da violência.

“O combate deste flagelo social revela-se imprescindível, sendo a prevenção primária, realizada em contexto escolar, considerada a forma mais eficaz de erradicar a violência”, defende, entendendo que é primordial que equipas técnicas especializadas atuem, através de uma pedagogia holística, sistemática, continuada e adaptada às idades, na conscientização de crianças e jovens para uma reflexão coletiva dos riscos de viverem relações abusivas.

Lembrando que, este ano, em janeiro de 2025, já cinco mulheres foram mortas em Portugal em contexto de violência de género ou violência doméstica, a coordenadora da UMAR Madeira denota que há uma certa normalização da violência que muitas vezes já vem de casa e acaba por perpetuar na relação amorosa.

Apoio regional para alargar estudo

A UMAR, atualmente com quatro técnicas e uma estagiária, pretende no futuro alargar o estudo a mais escolas da Região Autónoma da Madeira – neste estudo chegaram apenas a seis -, sobretudo em concelhos mais distantes do Funchal, para uma análise mais pormenorizada, mas para isso precisa de apoio regional.

“Já pedimos algumas reuniões há alguns anos com a Secretaria Regional de Educação, mas ainda não recebemos qualquer resposta”, lamentou.

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