O secretário regional de Ambiente, Turismo e Cultura, Eduardo Jesus, garantiu esta manhã no plenário da Assembleia Legislativa que nenhum dos 42 percursos pedestres da Região excede a respetiva capacidade de carga diária, defendendo que os constrangimentos registados nos últimos anos estavam relacionados sobretudo “com problemas de trânsito e estacionamento”, e não com excesso de visitantes.
No debate dedicado ao turismo, o governante explicou que o Executivo realizou um estudo técnico para definir a capacidade de carga de cada um dos 42 percursos da Madeira e do Porto Santo, trabalho desenvolvido com “fortíssima colaboração” da Universidade da Madeira. Através de modelos científicos e da análise de múltiplas variáveis, foi calculado o número máximo de utilizadores por percurso.
Segundo Eduardo Jesus, os dados apurados foram comparados com contagens físicas no terreno, concluindo-se que “em nenhum dos percursos estávamos a exceder a carga diária”. O problema, afirmou, era a concentração de pessoas “no mesmo sítio, à mesma hora”.
Para evitar picos de afluência, o Governo implementou um sistema de reservas com intervalos de meia em meia hora. “As pessoas reservam o seu slot e garantimos que nunca se excede o montante definido por período nem o total diário”, explicou, sublinhando que o modelo está aberto a melhorias, mas rejeitando críticas sem propostas alternativas.
O secretário revelou ainda que, das contagens efetuadas, menos de 2% dos utilizadores dos percursos eram residentes. Ainda assim, foi estabelecida uma quota dinâmica de 5% para madeirenses, assegurando que “nenhum madeirense foi barrado” e que a percentagem será ajustada se houver aumento da procura local.
Eduardo Jesus classificou a gestão como “inovadora no território” e afirmou que as medidas foram bem acolhidas tanto por operadores turísticos como por visitantes individuais. Acrescentou que “bastou disciplinar o trânsito” e o estacionamento em locais como o Pico do Areeiro, Ribeiro Frio, Queimadas e Ponta de São Lourenço para dissipar a percepção de descontrolo.
“O problema era de carros mal estacionados que impediam a circulação. Não era excesso de carga”, concluiu, defendendo que a situação nos percursos está hoje “bastante melhor” do que anteriormente.