O deputado do Chega na Assembleia da República, Francisco Gomes, acusou o Governo Regional de não ter acautelado o aumento do preço do gasóleo nas pescas, deixando os pescadores do atum sem qualquer apoio extraordinário numa fase que considera crítica no arranque da safra.
Segundo o parlamentar, a campanha do atum tem início em março e muitos armadores enfrentam custos que podem tornar a atividade insustentável. Francisco Gomes defende que a subida do preço dos combustíveis era previsível e exigia uma resposta antecipada por parte do executivo.
“A guerra não começou ontem e toda a gente sabia que o combustível ia subir. O governo Regional teve tempo para preparar medidas de apoio e não fez absolutamente nada para proteger os pescadores. Deixou-os à sua sorte, como sempre faz”, afirmou.
O deputado explica que um atuneiro consome, em média, cerca de mil e quinhentos litros de gasóleo por dia, sobretudo na fase inicial da safra, quando as embarcações procuram cardumes no mar. Este consumo representa, segundo indica, cerca de 300 euros diários apenas em combustível, sem garantia de captura.
“Estamos a falar de centenas de euros por dia apenas para procurar peixe. Se não houver apoio ao combustível, muitos armadores não terão outra escolha senão ficar em terra, como já aconteceu com alguns o ano passado. Estão a matar as pescas”, disse.
Francisco Gomes refere ainda que o setor das pescas enfrenta dificuldades estruturais que agravam a situação atual, apontando quotas reduzidas, problemas operacionais nas infraestruturas de apoio, falta de máquinas de gelo em funcionamento e limitações na capacidade de armazenamento portuário.
“Já não bastavam as quotas reduzidas, os problemas nas infraestruturas, a falta de gelo e as perseguições aos pescadores e armadores. Agora, têm também de enfrentar o aumento do combustível sem qualquer ajuda do Governo Regional”, acrescentou.
Para o deputado, a falta de preparação e resposta do executivo regional demonstra incapacidade para proteger um setor que considera estratégico para a economia da Região Autónoma da Madeira.
“A incompetência do governo está a matar as pescas e está a matar, em especial, a pesca do atum. O Chega não se rende e continuará a ser a voz firme dos pescadores da Madeira. Não nos calamos e não nos rendemos”, concluiu.