O líder do PSD/Madeira não se mostrou preocupado com as críticas de incoerência relativas ao fim da limitação de mandatos nos estatutos do partido, aprovados no congresso do último fim de semana e que o JM noticiou na sua edição impressa do último sábado. Questionado sobre as críticas, Miguel Albuquerque respondeu de forma direta: “Aceito”.
Ainda assim, justificou a decisão com a necessidade de preservar a estabilidade interna do partido. “Uma das bases do sucesso do PSD é não ter instabilidade interna. Se eu pusesse como limite do exercício do meu mandato, ia ter instabilidade”, afirmou, defendendo que a ausência de um limite definido evita disputas antecipadas pela liderança.
Para Miguel Albuquerque, o novo modelo mantém o partido coeso ao deixar em aberto o seu futuro político. “Assim fica tudo em aberto. Ninguém sabe se eu vou sair ou não, o que significa que o PSD fica estável”, sublinhou, acrescentando que a alteração estatutária foi aprovada por unanimidade pelos militantes.
O líder social-democrata desvalorizou ainda as críticas externas, sugerindo que estas partem de fora do partido. “Quem me critica não é do PSD. Se há um conjunto de indivíduos que criticam, é sinal de que tomei uma boa decisão, porque pretendem a destruição e a confusão dentro do PSD”, declarou.
Sobre a leitura democrática da medida, Miguel Albuquerque defendeu uma visão assente na vontade dos militantes. “A verdadeira democracia é aquela que decorre do bom senso e da vontade dos militantes, e não de meia dúzia de fulanos”, concluiu, reforçando que não permitirá divisões internas no partido.
Declarações prestadas aos jornalistas, à margem de uma palestra na Escola Secundária Francisco Franco, sobre os 50 anos da Autonomia, em que foi o orador convidado na qualidade de presidente do Governo Regional.